sábado, 15 de junho de 2013

O sistema do transporte “público” e o sentido do Movimento Passe Livre.


               Comecemos por caracterizar o que é o nosso atual sistema de transporte privado caracterizado como "público”. É:

 - Um dos principais instrumento da relação promíscua entre Estado e Mercado.
- Um dos principais componentes da apropriação da renda dos trabalhadores.
- Um brutal mecanismo de degradação da vida cotidiana animalizada
- Um das bases de uma urbanidade insustentável, economicamente ineficiente e ecologicamente desprezível.
- Um dos principais bloqueios para o direito de ir e vir.
- Um atentado contra a liberdade humana!

Um dos principais componentes da apropriação da renda dos trabalhadores e da degradação da vida.
 Alem das despesas com  habitação, saúde e alimentação que são imensas para o trabalhador brasileiro, o transporte tem se consolidado nos últimos anos  como o terceiro maior gasto da renda mensal familiar dos brasileiros. Segundo o IBGE ( dados de 2009 ) a gasto com o transporte já corresponde há 16% do gasto mensal  das famílias, o equivalente aos gastos com alimentação. Não preciso mais prolongar-me a esse respeito, uma grande parte da população sente esse fato no bolso e, de modo “especial” na pele, quando diariamente seu tempo e vida ( as vezes literalmente, em assaltos e brigas afins ) se esvaem em uma experiência nada agradável, por vezes, degradante.

Um das bases de uma urbanidade insustentável, economicamente ineficiente e ecologicamente desprezível.

                Em um cenário onde o governo  reduz a tributação sobre o transporte  e estimula a compra de carro, soma-se ao  ponto anterior - gastos com transporte e a experiência de seu uso – a (ir)racionalidade de se investir pesadamente na opção rodoviária no Brasil no contexto urbano, interurbano e inter-regional. Trata-se não apenas da opção mais cara a longo prazo, mas a que traz mais problemas relativos ao meio ambiente e a qualidade de vida nas cidades, gerando problemas que serão igualmente pagos com os impostos da população. A poluição do ar e as doenças respiratórias daí oriundas conjugadas com o estresse dos congestionamentos são apenas um exemplo dessa dimensão.
 Nosso sistema de transporte “público”  e o meio urbano caótico que temos hoje se faz coerente com um modelo de “desenvolvimento” que prioriza, de um lado, o “crescimento econômico” de forma geral,  onde a produção e venda de veículos conta como estatística imprescindível para o PIB e, e de outro, beneficia montadoras, concessionárias e construtoras que reiteradamente “tapam buracos” dos problemas de mobilidade urbana no brasil e, alem disso, participam ativamente no processo eleitoral. Sim, estamos falando de um modelo desenvolvimento coerente com a lógica do mercado e interesses políticos e incoerente com os pressupostos para realização do desenvolvimento humano e da sustentabilidade ambiental.

Um atentado contra a liberdade humana e um dos principais bloqueios para o direito de ir e vir.

O dinheiro é um dos principais componentes de liberdade e privação da liberdade no capitalismo. Considerando que temos um salário mínimo muito aquém para uma vida digna gasta-se, como já vimos, um dinheiro significativo com o transporte diário. Nesse sentido,  nos limitamos de comprar ( livros e comida mais saudável por exemplo ) para conseguirmos nossa locação diária. Imaginem os desempregados, especialmente aqueles que moram longe centro urbanos onde se ofertam a grande maioria do empregos,estes  tem limitações não apenas de deslocamento, mas  limitações de oportunidade, reconhecimento e dignidade. Limitações de liberdade que se convertem em determinações para “bandidagem”; se o Estado não oferece as oportunidades para este comer, se deslocar e ser reconhecido como cidadão, existem outros meios para este indivíduo se sentir oportunizado, pertencido, grato. Limitar o direito de ir e vir com um transporte privado caracterizado como “público” é um atentado não apenas a letra morta da constituição mas a vivacidade da liberdade humana.

 Essas observações sugerem diretamente e indiretamente o fracasso de um modelo politico capturado pelo Mercado. Mercado e Estado aparecem como faces de uma mesma moeda. Não é um fenômeno local, insere-se na própria dinâmica do capitalismo globalizado onde ampliam-se a distância entre sociedade e Estado a partir da subordinação deste aos imperativos do economia globalizada que obriga o Estado a uma dependência de fluxos de investimento que lhes rendem alguns empregos e impostos.  As agências de classificação hoje, substituindo o FMI na vigilância da America latina, representam em parte as determinações de ajustamento nacional as ambições do Mercado. Em outras palavras, a política e planejamento nacional ( como a política econômica, fiscal, tributária etc ) não são independentes. Não há nacionalismo que resista se amparado somente no Estado nacional.

                Mas a relação entre Estado e Mercado no capitalismo globalizado não é recente, estes nunca foram separados, instâncias independentes. Em O enigma do capital  Harvey evidencia a articulação promiscua entre Estado e Mercado financeiro durante a história do capitalismo. Harvey caracteriza a relação de nexo Estado-Finanças como o coração do sistema de crédito moderno, base de uma estrutura de governança na qual a  a “gestão do Estado para a criação do capital e dos fluxos monetários torna-se parte integrante, e não separável da circulação do capital”.
Vale registrar que em momentos de crise essa relação se explícita, geralmente em benefício do Mercado e detrimento do trabalho. O exemplo  dos EUA  - para não nos alongarmos na situação européia - é emblemático a esse respeito, despejando bilhões em salvamento de bancos em 2008 de maneira rápida e sem consulta popular
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Nesse cenário o Estado como o entendemos  se encontra incapacitado, para alem da boa vontade política, de realizar uma democracia nos limites do estado nacional, seja por determinações e limites externos ou por injunções internas relativas a organização política tradicional com sistema eleitoral, partidos e sindicatos. É nessa dialética entre sociedade e Estado em âmbito nacional e Estado e Mercado globalizado que se encontram os grandes desafios nacionais atualmente. Como se tem observado não apenas no Brasil, mas em boa parte do mundo, a exemplo dos Eua e Europa, a resposta estatal em termos políticos tem sido orientada direta ou indiretamente  para o desmantelamento do welfare-state, para socialização dos prejuízos a partir do endividamento do Estado para e privatização de lucros.

        A irrupção de movimentos e levantes sociais tem sido a resposta possível da sociedade nacional ( com fontes de inspiração, aprendizagem e colaboração mundial ) organizada ou não, para fazer a face a degeneração da democracia. O movimento “surgido”por causa de 20 centavos foram apenas o ponto de inflexão de uma reflexão e experiência que já estava em maturação: corresponde a canalização de forças e lutas antes difusas e direcionados para  lugares e fins improdutivos ( concessões de curto prazo ) ; expressa um momento de conversão da “massa” e do “povo” em multidão, em força ativa e criativa de singularidades que lutam pela mudança do status quo, pela reinvenção de suas vidas degradas por um sistema de transporte privado . Eis a força da democracia em movimento, restituindo valor da luta política , reinventando-a na prática. Democracia e liberdade andam juntas, quando a primeira se degenera as condições de possibilidades da segunda são comprometidas. A luta pelo passé livre é, portanto, uma luta legítima e democrática pela ampliação das liberdades!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

As expressões do Movimento Passe Livre: Vandalismo ou exercício democrático?


A polêmica é sempre oportunidade para dialéticas de esclarecimento, para alargamento de percepções e consciências, para realização do debate democrático.


Vejo pulular na rede tanto textos e vídeos contrários ao MPL ( Movimento Passe Livre ) quanto aqueles  que o apoiam, voltados a evidenciar a violência estatal através de seus aparelhos repressivos. O movimento aparece ora representando todos, ora representando ninguém. A massa ou o povo, segundo os textos e vídeos disponíveis, adquire contornos, dedos e corpo da classe média, da mídia dominante, dos jovens delinquentes, burguesia fascista, partidos da esquerda à direita . Essa pluralidade de referências ao movimento e suas interpretações refletem a posição social, política e existencial daqueles que “informam” suas versões, opiniões, críticas e verdades. O fato é que o movimento não pode ser reduzido a nenhumas dessas interpretações, na verdade, a maioria são, de um lado, desqualificações do movimento e, de outro, petistas, esquerdistas e tucanos se acusando reciprocamente na busca dos responsáveis pela situação.
            Alguns afirmam que não teriam trabalhadores no movimento, só  jovens da classe média,”playbois”, “rebeldes sem causa” que nem sentiriam “o peso das passagens”, mas isso seria motivo para desqualificar a luta e suas atitudes?  As pessoas só se engajariam em causas que dizem respeito a sua classe?
Há aqueles que insinuam que o movimento foi muito espontâneo, sem bandeiras, lideranças, a partidário etc.Mas há igualmente aqueles que afirmam que o movimento seria programático e não teria nada de espontaneidade; partidos políticos esquerdistas e tucano estariam alí  infiltrados, direcionando ações,  manipulando as “massas” para atacar o governo petista. Seria uma oportunidade ímpar para tal intento. Seriam simplesmente uma massa de manobra usada pela direita e pela mídia hegemônica? Estariam apenas depredando patrimônio público e deslocando policiais para atividades improdutivas? São perguntas que expressam no mínimo uma pobreza analítica sobre o movimento, não visualizando nele capacidade inventive, reconstrutiva, possibilidades de realização democrática, controle e pressão social sobre as instituições que governam este país.
Não podemos negar os diferentes discursos, críticas e desqualificações revelam facetas do tema em questão, qual seja; o transporte público enquanto “direito a cidade” e a legitimidade ou não dos movimentos que almejam esse direito.
É importante reconhecer que  existe tudo isso junto e muito mais, são muitas intenções, interesses, desejos, singularidades em jogo, mistura de ações programáticas com espontaneísmos, oportunidades para se sentir útil etc... não podemos realizar diagnósticos simplistas e unilaterais do tipo “isso é uma ação programática da direita que manipula a massa”, “trata-se de ação da extrema esquerda com a direita para desestabilizar o pt”, “ isso é um ato irracional de vândalos”, isso é…..x, y,z. Pelo que li a coisa é muito mais complexa do que muitos imaginam, o movimento envolveu para o bem ou para mau classe média, classe trabalhadora ou “nova” classe média,  movimentos ecológicos, movimentos de habitação, movimentos de “direito a cidade” e outros.
O movimento é necessário,  componente indispensável de mudança social, econômica e política. Mas nunca esqueçamos que ele nunca é homogêneo, mas sempre plural, contraditório, sujeito a muitas determinações e, igualmente, a desdobramentos insuspeitados.
Tais situações, penso, permitem insurreição de consciências, momento de politização sobre os problemas nacionais. Não, sem essa de que eles são apenas  “massa”, objeto de manobra, é também multidão de singularidades que se reinventam no calor das lutas, que reorientam energias e ideias para construção do comum! ( Passe livre!) O movimento é também movimento de subjetividades; não se resume a contestar alguns centavos de aumento mas representa um sintoma da insatisfação geracional com o modelo de política e de desenvolvimento realizado pelo Brasil ( e pelo Mundo ) nas últimas décadas neoliberais. Sim, está em causa os sentidos e ambivalências do Lulismo, depois de alimentada a multidão quer mais! Em boa parte surgida no âmbito do governo do PT, a “nova classe média” que ao contrário do que alguns analistas pensam (  classe despolitizada e consumista ) é também classe subjetivamente crítica e criativa; que uma hora cessa de aguentar porretes e exploração e afirma-se, como diria Bruno Cava, como força viva e produtiva de outro mundo.
Por fim, ao realizar diversas leituras pela rede percebi como nostalgias e utopias também se apresentam igualmente no horizonte de lutas, práticas ou ideológicas. A nostalgia se apresenta com  a referências aos movimentos pretéritos, suas conquistas e uma pretensa autenticidade quando comparado aos atuais. A utopia aparece seja como fonte de inspiração para mudança ( Pró-MPL ) ou ainda como fonte de resignação para manutenção do “status quo” ( Contra-MPL ) supostamente desqualificando a idéia de Passe Livre como uma realização impossível, utópica.  Ora, ser utópico atualmente é a maneira mais realista de existir em um mundo com crises múltiplas que atentam contra a justiça e dignidade humana.


sábado, 16 de março de 2013

A novela da Telexfree continua: Quem salvará os consumidores de seus “salvadores””



Antes de qualquer posicionamento devo aqui novamente reiterar que  não me interesso em saber se a telexfree é  “golpe”, “fraude”, se é pirâmide", "vai quebrar",  ou se é "dinheiro fácil". Não isso não me interessa. Me interessa o que surge nas entrelinhas dessa polêmica, o que mostra das contradições de nosso Brasil e daqueles que informam sobre ele.

“ A novela da Telexfree está mais interessante que salve jorge” disse um internauta no interior da “polêmica Telexfree” que fervilha em blogs e sites de informação. De fato esta “novela” tem dado a  mim oportunidade de pensar questões antes restritas aos limites da academia e, por isso, retorno ao assunto que a principio só escreveria uma única vez.

Vamos ao assunto. Continuam a proliferar-se em sites e blogs denúncias contra - o ainda não comprovado -  “golpe” ou “fraude” da Telexfree. Parece que parte da dita “grande mídia” se despertou em relação ao assunto, a exemplo do portal G1.globo, Globo.com, só para ficarmos nesses. O que me impressionou a esse respeito é que o “pipocar” da “polêmica Telexfree” tenha sido gerada sobretudo por sites “alternativos” e depois migrou para “grande mídia” antes “silenciada”. É algo preocupante quando ocorre uma unanimidade, especialmente quando ela se realiza entre mídias que deveriam se contrapor no que se refere as informações publicadas, mas antes estão em coro uníssono.

Mais estarrecedor ainda é constatar que a mídia “alternativa” tem reproduzido mimeticamente pré-julgamentos e acusações sem qualquer comprovação ( vide Nassif ), incorporando inclusive, uma explicação sobre a questão que a reduz a um “esquema” ( de pirâmide ) realizado por “quadrilhas” que estariam a “iludir” o “pobre” e “desinformado”  povo brasileiro. Alem disso, fazem coro na reprodução de um argumento, segundo o qual, a “farsa” já estaria sendo descoberta e que em “breve” a “justiça” seria feita. Por fim, vale dizer, que todos acreditam piamente estar alertando o povo sobre os “falsários”, sobre a possibilidade de imediatamente eles fugirem do país com o dinheiro de um povo “sofrido” e “enganado”. Nada mais falso,como já insinuei em texto anterior.

Foi com tristeza que vi  o blog do Miro e o blog outraspalavras ( depois de Cartacapital ) capitularem diante da acriticidade de suas informações, decepcionando leitores que cotidianamente estão nesses blogs procurando ideias que apontam um horizonte pós-capitalista de existir. Espero que esses posicionamentos não se reiterem,de forma que tais blogs salvaguardem sua reputação e não ousem novamente a se igualar a “ grande mídia” que tanto criticam. É o que acontece quando todos reproduzem acriticamente um texto de  uma figura do mainstream do jornalismo brasileiro.

             Para não me alongar demais nesse texto vou me deter em “contra-informar” apenas a “informação” fornecida pelo portal G1. Globo do Mato Grosso, que no título de sua reportagem afirma que “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil denúncias ao Procon de MT”, simplesmente transformaram ligações para o PROCON em DENÚNCIA, em outras palavras, converteram o ato do cidadão se informar a respeito da legalidade de uma empresa em pura e simples acusação contra a mesma.
           É, está em curso uma “cruzada” dos representantes da legalidade, a mídia e o Estado, contra a suposta ilegalidade de uma empresa que tem “lesado” muitos consumidores. O que mais me intriga são duas coisas.
Primeiro, é o fato dos próprios consumidores estarem realizando uma defesa massiva da empresa nas redes sociais, para alem das críticas daqueles que, a priori, já sabem no que isso vai dar, ou seja, que a “pirâmide” vai "cair”. A defesa de uma empresa, de um lado, e o “esclarecimento” antecipado do que vai acontecer “com os mais pobres”, de outro, constituem um cenário efervescente nas redes sociais nos últimos dias.

Em segundo lugar é pouco comum vermos Mídia e Estado de mãos dadas contra o domínio do mercado. Até então o mercado era visto ( pelas elites e classes médias tradicionais ) como reino das “virtudes” onde ocorrem trocas “justas” entre iguais, pessoas igualmente informadas sobre os negócios que fazem, mas, de repente é mal visto ( através de uma empresa ) como reino de “injustiças” para com o povo brasileiro, devendo imediatamente apresentar documentos que comprovem sua legalidade, afinal de contas, estaria realizando trocas injustas, desiguais com os consumidores. Estes estariam sendo “lesados” na medida em que possuíam poucas informações sobre o produto adquirido e o funcionamento da empresa. "Coitadinhos!"

Ao que me parece o mercado só é mal quando começa a beneficiar demais os consumidores, nesse caso em particular, quando socializa parte dos lucros auferidos com o negócio ( No próximo texto me aterei a este ponto). A empresa parece estar profanando as leis “auto-reguláveis" de um mercado supostamente racional quando comete a “irracionalidade” de inverter ou pelo menos atenuar a lógica dominante, qual seja, a lógica segundo o qual as empresas devem lucrar infinitamente mais na sua negociação com os consumidores. “Um abuso” dizem eles, “como pode o consumidor ter tantos privilégios em um negócio”. O privilégio é, na verdade, a tendência de horizontalizar a pirâmide social brasileira, esta sim a verdadeira pirâmide a que todos deveriam criticar amplamente!

Obs: O título do portal G1 “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil denúncias ao Procon de MT” horas depois foi editado para “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil telefonemas  ao Procon de MT”

quinta-feira, 14 de março de 2013

O que a polêmica em torno do Telexfree evidencia: Captação de poupança popular ou democratização da lógica capitalista?


            Enquanto cientista social raramente emito opiniões imediatas  acerca de questões polêmicas que “fervem” nas redes sociais. Desta vez, porem, não me contive e vou arriscar algumas linhas de interpretação sobre a questão.
            Nos últimos dias prolifera-se nas redes sociais, blogs, youtube e jornais a polêmica em torno da atuação da empresa Telexfree, que está sendo investigada e já amplamente denúnciada pelos “arautos da boa e honesta informação”.
            Quanto às investigações existem suspeita de que uma espécie de  pirâmide financeira, travestida de Marketing Multi Nível, estaria lesando a “poupança popular” dos brasileiros, especialmente dos mais pobres que estariam vendendo tudo e se endividando apenas para entrar no “esquema”. Bem, o fato é que  mobilizaram imediatamente dois ministérios, promotores de várias regiões, cade, delegacias, ministérios públicos e policia federal para averiguar a questão. Alem disso Ministério da fazendo e  Secretaria de Acompanhamento Econômico (Sae), já estão envolvidos na situação e já foram notificados o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Comissão de Valores Mobiliário (CVM) e o Banco Central (BC). Haja mobilização!
            Quanto aos representantes da “boa informação” e formadores de opinião, sobretudo, da classe média tradicional brasileira, destaca-se o Noblat, que tem escrito bastante sobre a questão nos últimos dias.
            Antes de prosseguir gostaria de sugerir que para quem não conhece a empresa favor procure informações no google. Meu objetivo aqui  não é discutir a legalidade da empresa,  seu serviço ( serviço de telefonia )o modo lícito ou ilícita que opera ( método de divulgação ) para proporcionar lucros ou realizar uma problematização moralista sobre a questão. Meu interesso é apontar para o que essa polêmica revela da sociedade brasileira. Aqui não importa  se é fraude ou golpe, embora devo concluir que não se trata nem de fraude, pois não estão falsificando nada e tampouco de golpe, visto que até onde eu sei a empresa não enganou seus ‘divulgadores’ recusando-se a realizar os devidos pagamentos.
            Retornemos ao formador de opinião, Noblat, apenas para iniciar meu posicionamento e sugerir o que essa polêmica traz à tona em tempos de suposta “despolarização política” e “despolitização das massas”.
            Para resumir a opinião de Noblat basta dizer que ele afirma que "Durante um ano, o esquema TelexFree envolveu um milhão de pessoas e movimentou mais de R$ 300 milhões através de uma versão online do velho golpe da pirâmide", e há expectativa de chegue em “1 bilhão” este ano. Informa que nos próximos dias, o esquema será desbaratado e seus mentores detidos e indaga “Mas terá sido em vão para mais de um milhão de pessoas que caíram no mais abrangente golpe financeiro da história do país”.
            Aqui reside minha principal indagação, será que essas pessoas são vítimas; caíram ingenuamente num ‘golpe financeiro’ e foram enganadas a colocar dinheiro no negócio? Creio que não e , tampouco acredito que seja “o mais atrevido golpe já perpetrado contra o consumidor brasileiro”. Outros golpes mais profundos atentam contra a dignidade do consumidor e do cidadão brasileiro cotidianamente, realizadas por “empresas golpistas” nos próprios termos de Noblat que afirma “O que diferencia uma empresa séria da golpista é a receita auferida com a venda final do produto.” Quer dizer com essa diferença podemos enquadrar muitos bancos de investimento como golpistas já que seus executivos ganham milhões mensalmente apenas vendendo seus produtos financeiros. Aliás não apenas bancos de investimento mas bancos estatais que “guardam” o dinheiro do brasileiro oferecendo ridículas taxas de retorno, ao mesmo tempo que lucram milhões com os empréstimos oferecidos ao governo, que nós sustentamos afinal. Somos ‘golpeados’ duplamente, afinal somos nós que sustentamos o Estado.
            Esse viés normativo, moralista da questão apenas identifica “golpistas” e “quadrilhas” que estariam se fazendo com a alienação popular  contudo, deixam de perceber que esses brasileiros estão longe desses adjetivos e não iriam aderir massivamente algo sem um mínimo de segurança, digo mínimo pois a maioria dos brasileiros não possuem segurança em relação a nada e quando percebem algo real, concreto e que pode mudar suas vidas encaram sem medo de perder, afinal , não há muito o que perder, apenas o anseio de melhoria de vida.
          O que essa polêmica sobre a telexfree revela? Pode revelar certamente o maior “golpe do século”   realizado por um “trabalho da quadrilha”, por uma “rede de golpistas”,como faz questão de enunciar Nassif,  incluindo-o  no rol de golpes já realizadas como o esquema ponzi, esquema boi gordo e esquema Madoff. Mas alem disso, o que essa controvérsia gera do ponto de vista sociológico, o que ela explicita sobre o Brasil e suas contradições, suas classes e o capitalismo.
            Nessa polêmica está em questão as “virtudes” de nossos elites, ricos e classes medias tradicionais, a possibilidade de indiferenciação financeira em relação a “massa”, que deveria não estar investindo e ganhando dinheiro “ilicitamente”, mas acordando 5 manhã, enfrentando ônibus, suando a camisa e se “matando de trabalhar” para receber seu “gordo” salário ao fim do mês.
          Acontece que a maioria das pessoas, e aqui incluo dezenas de opiniões de  internautas, se assumem como responsáveis pelos riscos do negócio, os “transgressores” nas palavras de Nassif. Tenho certeza que nunca eles se sentiram tão bem ao fazerem parte de uma transgressão, transgressão esta que atinge o núcleo da hipocrísia e das virtudes das elites  e classes medias tradicionais brasileiras ( alguns dos quais estão no “esquema”, mas não abrem o “bico” ). Em outras palavras, retiraria suas qualidades singulares de ganhar bem e enriquecer-se através de seu trabalho honesto, trabalho que pagaria políticas sociais para pobres preguiçosos e sem iniciativa que estariam naquela condição por sua própria culpa. O fato é que essas controvérsias dizem respeito sobre a singularidade de um Brasil desigual, injusto cuja lei 
           O que temos realmente? Será a democratização de investimentos ou , teríamos como informa a  Secretaria Nacional do Consumidor “a captação de poupança popular”, que estaria sendo denunciada.
         Considerando a primeira opção me pergunto, Dinamizar o capitalismo pela via popular seria dinamitá-lo por dentro? O bem da verdade é que sua dinâmica avassaladora de lucros e exploração ao longo da história tem beneficiado sobretudo as elites, os já ricos, herdeiros, empresários, investidores e instituições bancárias.
         A polêmica nos blogs giram em torno também dessa questão, afinal de contas, enquanto o capitalismo vai bem para os ricos e entra em crise ( através de ‘inovações’ financeiras como o subprime NOS EUA ), estes solicitam o Estado para assumir a responsabilidade, “resgatar” a economia ( diga-se o grande capital, como os mais 700 bilhões velozmente mobilizados para salvar os bancos americanos ) e socializar as perdas com a população ( diga-se, desmantelar o Estado de Bem-estar social com corte de salários, de aposentadorias,demissões, diminuição de investimentos na educação, saúde etc.. )
           Agora quando este capitalismo começa a beneficiar com suas inovações as classes populares os grande representantes do capital se sentem lesados. Caso o sistema se colapse, será que o Estado saíra pelas “vítimas” tal como sempre faz quando o mercado precisa de injeção de capitais, sempre ás custas da população mais pobre?
         As consequências diretas e indiretas do capital financeiro só se tornam sérias, escandalosas e problema de Estado quando seus lucros imediatos não vão para os bolsos dos bancos e grandes investidores. Quanto beneficia os “de baixo” ou a “nova classe média” o problema se torna seríssimo, uma questão nacional!
         Será que até o momento esse esquema não estaria  potencializando o investimento e a poupança popular? Será que a confiança dos “de baixo” no mercado não importa?  Vamos ver nas próximas semanas, meses e anos os desdobramentos no amâgo do capitalismo brasileiro.
         Alguns comentários em blogs indicam também uma corrente de indignação para com o Governo,  seus órgãos competentes, a grande mídia ( para alguns golpista ) e os “virtuosos” da elite brasileira, pois estes se  mobilizam imediatamente para investigar e tentar bloquear o “golpe” e os eventuais enriquecimentos ilícitos.
       Os comentários  indicam, por exemplo, que eles  não estariam gostando dos “pobres” ganhando tanto dinheiro,estariam com medo dos “pobres” se tornarem investidores e não dependerem mais da miséria do salário mínimo ou da exploração na qual estão encerrados em certos trabalhos que exigem sua alma para sua reprodução existencial.
       Os “batalhadores” virtuais assinalam que os “virtuosos” os acusam de se iludirem com “promessa de dinheiro fácil”, contudo,  se defendem afirmando que é a mesma  “promessa conhecido por muitos candidatos nas eleições brasileiras”.
Um internauta comentou que  “ Eike Batista ganhou R$ 1,37Bilhoes em um dia, com empresas que até o momento só apresentou projetos e nenhuma produção e ninguem investiga, isso tudo pq alimenta a corrupção no mercado financeiro”, outra afirma que ““O Brasil é um pirâmide. Trabalhamos para os "políticos" ficarem ricos. Porque nos tambem não podemos ter algo melhor?”
        Tá em xeque a própria dignidade do brasileiro, no sentido de ter uma vida decente, apesar das limitações do Estado brasileiro, está em questão um  trabalho decente, onde as pessoas  não “ se matam” de trabalhar para sobreviver.
        Vejamos ainda mais dois comentários que ilustram um pouco do que afirmei
“Estou desempregada e enquanto não consigo emprego me mantenho através da telex free sei que é um risco, mas na vida temos que arriscar!” outro acrescenta “ uns gastam com drogas, outros com mulheres, outros com remédios, com loterias e alguns com internet”, por fim vale registrar que “Todos os anunciantes são maiores de idade, todos tem portanto personalidade e capacidade jurídica para tomarem suas próprias decisões.Não existe nada 100% seguro. Todos sabem que podem ganhar e que também podem quebrar a cara”. Procurem esses registros no google!
         Como se percebe essas pessoas em sua grande maioria possuem consciência dos riscos que envolvem esse negócio e deixam claro que se trata de uma escolha, que é “um risco como qualquer outra empresa”, que “fazem o que quiser com seu dinheiro” e isso não diz respeito, segundo alguns internautas,  a  procuradores e polícia federal, estes deriam é estar atrás de “políticos corruptos”, “sonegadores de impostos” etc..
        Ora, o Brasileiro das classes “baixas”, reitero, não é  simplesmente um ser “alienado e  que segue uma ilusão como manada”, como muitos comentaristas de plantão argumentam, esses brasileiros não devem ser vistos como vítimas, massa de manobra, sem opinião e joguete da grande mídia, mas sim como sujeito que “sabe a dor e o prazer de ser o que é”, que a despeito da educação que teve e do país que nasceu, não sucumbi a miséria herdade e a converte criativamente em arma de luta, resistência e afirmação de sua dignidade. Se afirma como sujeito que assume seus riscos sem medo das consequências, até porque nunca ou raramente teve o conforto daqueles que não precisam ousar, daqueles que apenas reproduzem de forma mesquinha e conservadora suas vidinhas.
          Por fim, vale registrar que a guerra virtual em torno dessa questão é tambem uma guerra ideológica, expressa em  um posicionamento contra-hegemônico de milhares de internautas contra  aqueles que tentam bloquear o sonho brasileiro de “viver sem se matar trabalhando”. É a luta de classes transposta para o mundo das redes virtuais, é a luta de classe virtual”
            O fato é que a ampla maioria das pessoas está consciente dos riscos e não precisará, tal como tem ocorrido nos Eua e europa, pagar as contas de rombos causados por instituições financeiras e suas inovações financeiras. Essas pessoas pagaram, finalmente, por suas próprias escolhas e não pelas escolhas ocultas e anti-democráticas do grande capital financeiro. Eis que  a lógica do capital quando ousa se democratizar abala os fundamentos de sua própria reprodução, em outras palavras, talvez ( o que não é novidade desde Marx ) o colapso do capitalismo seja realizada no futuro precisamente por sua própria lógica, a partir de de suas próprias armas ( produtos financeiros por ex ) colocadas nas mãos da multidão.
            Respondendo sucintamente o sub-título do texto, a  polêmica em torno da telexfree revela entre outras coisas  as vísceras ideológicas classistas de um Brasil injusto, desigual, corporativo e, é claro, com os seus iluminados jornalistas, sempre dispostos a “prestar serviço a sociedade”, só não sabemos que sociedade, ou melhor, que segmento ou classe dela, certamente não é a de “burros”, “vagabundos”,” ignorantes”, e “ mal informados” que se “iludem” com o telexfree.

domingo, 14 de outubro de 2012

Nobel da Paz: Paz de quem?


Esse prêmio Nobel na presente conjuntura é uma piada. Trata-se de uma ofensa aos povos europeus, especialmente gregos e espanhóis que vivem tempos de descrença e indignação face ao modo como a União Europeia e suas lideranças vem conduzindo a atual crise que  afeta o continente.

Uma coisa é certa, tal prêmio não vem apenas para "elevar a moral" da UE, mas se apresenta, sobretudo, como instrumento de legitimação das políticas de austeridades em operação na Europa. Políticas que deveriam  'combater' a crise, mas que até agora longe de atenuar os efeitos sociais da crise o amplificam, obrigando a população pagar dívida ilegítima com a desestruturação do Estado de Bem-estar social, novas pobrezas e desigualdades.

Seu atual posicionamento político face aos dilemas econômicos e sociais do continente não validam o argumento do Presidente da Instituição de que a UE  tem realizado um "bem-sucedida luta pela paz e reconciliação e pela democracia e direitos humanos." Ora, paz e Democracia é o que não há em uma Europa que sofre a recessão de uma Crise que não dá indícios de que acabará, intensificando os conflitos e levantes de povos que não aguentam mais a queda do padrão de vida e altas taxas de desemprego, impelindo-os a ocuparem ruas e praças para contestar o atual sistema econômico e uma democradura que vem apenas legitimando os interesses de uma oligarquia financeira internacional. 

Angêla Merkel, enquanto principal Líder Européia e defensora das atuais políticas econômicas vigentes no continente não se contem de felicidade, os horizontes de uma Europa-Alemã se tornam mais palpáveis. Francoise Hollande, eleito como portavoz de políticas anti-austeridade afirmou que o prêmio representa uma "honra imensa" para a UE. A decepção deve estar reinando entre os comunistas e pessoas que depositaram esperança em Hollande para fazer oposição a Merkel e alterar o ataque aos direitos sociais em vigência na França e na Europa como um todo. 

Seguramente o prêmio não terá nenhum efeito prático para acalmar os ânimos populares da (Des)União Européia. Reafirmo, o prêmio tem laivos ideológicos e representa simbolicamente a validação das políticas de austeridade vigentes na Europa ( Diga-se demissões, cortes salariais, diminuição do Orçamento para saúde, educação, cultura etc..), realizadas sob os auspícios da Troika, constituída pelo FMI, Banco Central Europeu e, vejam bem, Comissão Europeia, está última responsável por representar, defender e materializar os interesses da União Européia. Longe de representar os interesses da totalidade das Nações que  a compõem, a União Europeia representa atualmente o ataque as soberanias de seus integrantes.  E agora? Como bem indagou Alain Badiou " Quem salvará a Europa de seus salvadores".

terça-feira, 18 de setembro de 2012

De um História de destruição para uma História de afirmação da vida



Para o anjo da hstória de  Walter Benjamin, o que nós chamamos de progresso é uma tempestade de destruição.
 “Ele tem o seu rosto voltado para o passado. Onde uma cadeia de eventos aparece diante de nós, ele enxerga uma única catástrofe. Ele bem que gostaria de demorar-se, de despertar os mortos e juntar os destroços. Mas do paraíso sopra uma tempestade que se emaranhou em suas asas e é tão forte que o anjo não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, para o qual dá as costas, enquanto o amontoado de escombros diante dele cresce até o céu.”

Esse anjo da história poderia ter um dia outra visão ao voltar seu rosto para o passado?

Com a economia de mercado e a estrutura jurídico-político que a sustenta certamente não podemos fugir da tempestade destrutiva que vem cimentando nosso passado. Quem sabe uma economia ancorada em outros princípios,que não fossem o do consumismo, individualismo, competitividade e lucro permitisse um mundo sem tanta "tempestade". Essa nova economia deveria vir junta de uma nova política sustentada por valores cívicos, comuns, que fosse instrumento de afirmação da vida, de realização das potencialidades e felicidade humana;que garantisse a manutenção de direitos comuns, fosse mais aberta, participativa, transparente; que não fosse privada, fechada no aparato do Estado e dos partidos políticos tradicionais. que não fosse subordinada a economia e servisse como instrumento de realização de políticas e programas de classes privilegiadas. Acredito que o Anjo da história de Benjamin deixará de ver apenas escombros quando os homens recriarem uma nova civilização em novos pressupostos economicos e políticos, permitindo a inauguração da HUMANIDADE, ( que segundo Milton Santos está ainda no Devir ), com uma nova COSMOLOGIA para orientar os indivíduos no sentido de práticas e relações socialmente saudáveis, amorosas, motivadas pelo DOM, pela reciprocidade, garantindo uma uma existência não de dominação, exploração e miséria, mas de Justiça, igualdade e, sobretudo, LIBERDADE. Liberdade compartilhada; prudente e responsável.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Liberdade e Responsabilidade

O homem e a liberdade,
O homem e as escolhas,
O homen e as consequências
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     O homem que exercita a liberdade, que faz escolhas. que se depara com as consequências e automaticamente deve assumir a responsabilidade existêncial e social desse movimento. Deve o homem fazer escolhas em detrimento de sua liberdade afim de ampliar as possibilidades de existência de outrem? Deve o homem sacrificar necessidades e desejos afim de evitar danos sentimentais?
      Creio que deve o homem, por vezes, sacrificar e restringir sua liberdade sem titubear, pois a longo prazo e numa perspectiva da liberdade da coletividade humana, os sacrifícios e restrições de liberdade individual se convertem automaticamente no alargamento das liberdades coletivas e consequentemente na satisfação de necessidades e desejos de um maior contingente de pessoas.
     Liberdade e responsabilidade nessa perspectiva se conectam tendo em vista a expansão das liberdades humanas e o que aparenta ser 'custo' ou privação individual não é senão o ponto de partida para garantia da coexistência das liberdades indiduais em sociedade.
     Quer dizer, aquilo que alguns acreditam ser o ideal da liberdade humana em sociedade tem efeito contrário e devastador para o conjunto da sociedade em termos das liberdades coletivas, posto que pregam uma liberdade incondicional e sem entraves, corroborando com uma ética individualista, anárquica e irresponsável em detrimento de uma moral social reguladora.
     Ora, uma moral social reguladora é precisamente o resultado da conjugação entre liberdade e responsabilidade que. vistas em perspectiva ampla, considerando o conjunto dos homens ( enquanto gênero humanmo ) significam a possibilidade de ampliação das liberdades individuais e coletivas sem privar ou anular as necessidades e desejos de niguem.
     Creio que as implicações decorrentes dessa perspetiva servem como referência fundamental para combater desigualdades e  garantir justiça social tão somente através da responsabilidade moral por sua liberdade.

     Que cada um usufrua e exercite sua liberdade, sempre lembrando que sua liberdade coexiste com outras liberdades. E o fato dela coextir com outras liberdades implica no respeito e aceitação das mesmas, de modo que suas escolhas e ações se orientaram no sentido de limitar sua liberdade para não corrompoer ou anular as demais. Em suma, existir é responsabilizar-se pelo destino dos homens, do contrário, continuaremos a sofrer as consequências sistêmicas negativas, resultantes da convergência da fruição de liberdades individuais. Quer queira, quer não, as crises, desigualdades e contradições existenteas nas sociedades humanas se constitutem a partir do efeito agregado das ações, estratégias e projetos individuais.