sábado, 16 de março de 2013

A novela da Telexfree continua: Quem salvará os consumidores de seus “salvadores””



Antes de qualquer posicionamento devo aqui novamente reiterar que  não me interesso em saber se a telexfree é  “golpe”, “fraude”, se é pirâmide", "vai quebrar",  ou se é "dinheiro fácil". Não isso não me interessa. Me interessa o que surge nas entrelinhas dessa polêmica, o que mostra das contradições de nosso Brasil e daqueles que informam sobre ele.

“ A novela da Telexfree está mais interessante que salve jorge” disse um internauta no interior da “polêmica Telexfree” que fervilha em blogs e sites de informação. De fato esta “novela” tem dado a  mim oportunidade de pensar questões antes restritas aos limites da academia e, por isso, retorno ao assunto que a principio só escreveria uma única vez.

Vamos ao assunto. Continuam a proliferar-se em sites e blogs denúncias contra - o ainda não comprovado -  “golpe” ou “fraude” da Telexfree. Parece que parte da dita “grande mídia” se despertou em relação ao assunto, a exemplo do portal G1.globo, Globo.com, só para ficarmos nesses. O que me impressionou a esse respeito é que o “pipocar” da “polêmica Telexfree” tenha sido gerada sobretudo por sites “alternativos” e depois migrou para “grande mídia” antes “silenciada”. É algo preocupante quando ocorre uma unanimidade, especialmente quando ela se realiza entre mídias que deveriam se contrapor no que se refere as informações publicadas, mas antes estão em coro uníssono.

Mais estarrecedor ainda é constatar que a mídia “alternativa” tem reproduzido mimeticamente pré-julgamentos e acusações sem qualquer comprovação ( vide Nassif ), incorporando inclusive, uma explicação sobre a questão que a reduz a um “esquema” ( de pirâmide ) realizado por “quadrilhas” que estariam a “iludir” o “pobre” e “desinformado”  povo brasileiro. Alem disso, fazem coro na reprodução de um argumento, segundo o qual, a “farsa” já estaria sendo descoberta e que em “breve” a “justiça” seria feita. Por fim, vale dizer, que todos acreditam piamente estar alertando o povo sobre os “falsários”, sobre a possibilidade de imediatamente eles fugirem do país com o dinheiro de um povo “sofrido” e “enganado”. Nada mais falso,como já insinuei em texto anterior.

Foi com tristeza que vi  o blog do Miro e o blog outraspalavras ( depois de Cartacapital ) capitularem diante da acriticidade de suas informações, decepcionando leitores que cotidianamente estão nesses blogs procurando ideias que apontam um horizonte pós-capitalista de existir. Espero que esses posicionamentos não se reiterem,de forma que tais blogs salvaguardem sua reputação e não ousem novamente a se igualar a “ grande mídia” que tanto criticam. É o que acontece quando todos reproduzem acriticamente um texto de  uma figura do mainstream do jornalismo brasileiro.

             Para não me alongar demais nesse texto vou me deter em “contra-informar” apenas a “informação” fornecida pelo portal G1. Globo do Mato Grosso, que no título de sua reportagem afirma que “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil denúncias ao Procon de MT”, simplesmente transformaram ligações para o PROCON em DENÚNCIA, em outras palavras, converteram o ato do cidadão se informar a respeito da legalidade de uma empresa em pura e simples acusação contra a mesma.
           É, está em curso uma “cruzada” dos representantes da legalidade, a mídia e o Estado, contra a suposta ilegalidade de uma empresa que tem “lesado” muitos consumidores. O que mais me intriga são duas coisas.
Primeiro, é o fato dos próprios consumidores estarem realizando uma defesa massiva da empresa nas redes sociais, para alem das críticas daqueles que, a priori, já sabem no que isso vai dar, ou seja, que a “pirâmide” vai "cair”. A defesa de uma empresa, de um lado, e o “esclarecimento” antecipado do que vai acontecer “com os mais pobres”, de outro, constituem um cenário efervescente nas redes sociais nos últimos dias.

Em segundo lugar é pouco comum vermos Mídia e Estado de mãos dadas contra o domínio do mercado. Até então o mercado era visto ( pelas elites e classes médias tradicionais ) como reino das “virtudes” onde ocorrem trocas “justas” entre iguais, pessoas igualmente informadas sobre os negócios que fazem, mas, de repente é mal visto ( através de uma empresa ) como reino de “injustiças” para com o povo brasileiro, devendo imediatamente apresentar documentos que comprovem sua legalidade, afinal de contas, estaria realizando trocas injustas, desiguais com os consumidores. Estes estariam sendo “lesados” na medida em que possuíam poucas informações sobre o produto adquirido e o funcionamento da empresa. "Coitadinhos!"

Ao que me parece o mercado só é mal quando começa a beneficiar demais os consumidores, nesse caso em particular, quando socializa parte dos lucros auferidos com o negócio ( No próximo texto me aterei a este ponto). A empresa parece estar profanando as leis “auto-reguláveis" de um mercado supostamente racional quando comete a “irracionalidade” de inverter ou pelo menos atenuar a lógica dominante, qual seja, a lógica segundo o qual as empresas devem lucrar infinitamente mais na sua negociação com os consumidores. “Um abuso” dizem eles, “como pode o consumidor ter tantos privilégios em um negócio”. O privilégio é, na verdade, a tendência de horizontalizar a pirâmide social brasileira, esta sim a verdadeira pirâmide a que todos deveriam criticar amplamente!

Obs: O título do portal G1 “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil denúncias ao Procon de MT” horas depois foi editado para “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil telefonemas  ao Procon de MT”

quinta-feira, 14 de março de 2013

O que a polêmica em torno do Telexfree evidencia: Captação de poupança popular ou democratização da lógica capitalista?


            Enquanto cientista social raramente emito opiniões imediatas  acerca de questões polêmicas que “fervem” nas redes sociais. Desta vez, porem, não me contive e vou arriscar algumas linhas de interpretação sobre a questão.
            Nos últimos dias prolifera-se nas redes sociais, blogs, youtube e jornais a polêmica em torno da atuação da empresa Telexfree, que está sendo investigada e já amplamente denúnciada pelos “arautos da boa e honesta informação”.
            Quanto às investigações existem suspeita de que uma espécie de  pirâmide financeira, travestida de Marketing Multi Nível, estaria lesando a “poupança popular” dos brasileiros, especialmente dos mais pobres que estariam vendendo tudo e se endividando apenas para entrar no “esquema”. Bem, o fato é que  mobilizaram imediatamente dois ministérios, promotores de várias regiões, cade, delegacias, ministérios públicos e policia federal para averiguar a questão. Alem disso Ministério da fazendo e  Secretaria de Acompanhamento Econômico (Sae), já estão envolvidos na situação e já foram notificados o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Comissão de Valores Mobiliário (CVM) e o Banco Central (BC). Haja mobilização!
            Quanto aos representantes da “boa informação” e formadores de opinião, sobretudo, da classe média tradicional brasileira, destaca-se o Noblat, que tem escrito bastante sobre a questão nos últimos dias.
            Antes de prosseguir gostaria de sugerir que para quem não conhece a empresa favor procure informações no google. Meu objetivo aqui  não é discutir a legalidade da empresa,  seu serviço ( serviço de telefonia )o modo lícito ou ilícita que opera ( método de divulgação ) para proporcionar lucros ou realizar uma problematização moralista sobre a questão. Meu interesso é apontar para o que essa polêmica revela da sociedade brasileira. Aqui não importa  se é fraude ou golpe, embora devo concluir que não se trata nem de fraude, pois não estão falsificando nada e tampouco de golpe, visto que até onde eu sei a empresa não enganou seus ‘divulgadores’ recusando-se a realizar os devidos pagamentos.
            Retornemos ao formador de opinião, Noblat, apenas para iniciar meu posicionamento e sugerir o que essa polêmica traz à tona em tempos de suposta “despolarização política” e “despolitização das massas”.
            Para resumir a opinião de Noblat basta dizer que ele afirma que "Durante um ano, o esquema TelexFree envolveu um milhão de pessoas e movimentou mais de R$ 300 milhões através de uma versão online do velho golpe da pirâmide", e há expectativa de chegue em “1 bilhão” este ano. Informa que nos próximos dias, o esquema será desbaratado e seus mentores detidos e indaga “Mas terá sido em vão para mais de um milhão de pessoas que caíram no mais abrangente golpe financeiro da história do país”.
            Aqui reside minha principal indagação, será que essas pessoas são vítimas; caíram ingenuamente num ‘golpe financeiro’ e foram enganadas a colocar dinheiro no negócio? Creio que não e , tampouco acredito que seja “o mais atrevido golpe já perpetrado contra o consumidor brasileiro”. Outros golpes mais profundos atentam contra a dignidade do consumidor e do cidadão brasileiro cotidianamente, realizadas por “empresas golpistas” nos próprios termos de Noblat que afirma “O que diferencia uma empresa séria da golpista é a receita auferida com a venda final do produto.” Quer dizer com essa diferença podemos enquadrar muitos bancos de investimento como golpistas já que seus executivos ganham milhões mensalmente apenas vendendo seus produtos financeiros. Aliás não apenas bancos de investimento mas bancos estatais que “guardam” o dinheiro do brasileiro oferecendo ridículas taxas de retorno, ao mesmo tempo que lucram milhões com os empréstimos oferecidos ao governo, que nós sustentamos afinal. Somos ‘golpeados’ duplamente, afinal somos nós que sustentamos o Estado.
            Esse viés normativo, moralista da questão apenas identifica “golpistas” e “quadrilhas” que estariam se fazendo com a alienação popular  contudo, deixam de perceber que esses brasileiros estão longe desses adjetivos e não iriam aderir massivamente algo sem um mínimo de segurança, digo mínimo pois a maioria dos brasileiros não possuem segurança em relação a nada e quando percebem algo real, concreto e que pode mudar suas vidas encaram sem medo de perder, afinal , não há muito o que perder, apenas o anseio de melhoria de vida.
          O que essa polêmica sobre a telexfree revela? Pode revelar certamente o maior “golpe do século”   realizado por um “trabalho da quadrilha”, por uma “rede de golpistas”,como faz questão de enunciar Nassif,  incluindo-o  no rol de golpes já realizadas como o esquema ponzi, esquema boi gordo e esquema Madoff. Mas alem disso, o que essa controvérsia gera do ponto de vista sociológico, o que ela explicita sobre o Brasil e suas contradições, suas classes e o capitalismo.
            Nessa polêmica está em questão as “virtudes” de nossos elites, ricos e classes medias tradicionais, a possibilidade de indiferenciação financeira em relação a “massa”, que deveria não estar investindo e ganhando dinheiro “ilicitamente”, mas acordando 5 manhã, enfrentando ônibus, suando a camisa e se “matando de trabalhar” para receber seu “gordo” salário ao fim do mês.
          Acontece que a maioria das pessoas, e aqui incluo dezenas de opiniões de  internautas, se assumem como responsáveis pelos riscos do negócio, os “transgressores” nas palavras de Nassif. Tenho certeza que nunca eles se sentiram tão bem ao fazerem parte de uma transgressão, transgressão esta que atinge o núcleo da hipocrísia e das virtudes das elites  e classes medias tradicionais brasileiras ( alguns dos quais estão no “esquema”, mas não abrem o “bico” ). Em outras palavras, retiraria suas qualidades singulares de ganhar bem e enriquecer-se através de seu trabalho honesto, trabalho que pagaria políticas sociais para pobres preguiçosos e sem iniciativa que estariam naquela condição por sua própria culpa. O fato é que essas controvérsias dizem respeito sobre a singularidade de um Brasil desigual, injusto cuja lei 
           O que temos realmente? Será a democratização de investimentos ou , teríamos como informa a  Secretaria Nacional do Consumidor “a captação de poupança popular”, que estaria sendo denunciada.
         Considerando a primeira opção me pergunto, Dinamizar o capitalismo pela via popular seria dinamitá-lo por dentro? O bem da verdade é que sua dinâmica avassaladora de lucros e exploração ao longo da história tem beneficiado sobretudo as elites, os já ricos, herdeiros, empresários, investidores e instituições bancárias.
         A polêmica nos blogs giram em torno também dessa questão, afinal de contas, enquanto o capitalismo vai bem para os ricos e entra em crise ( através de ‘inovações’ financeiras como o subprime NOS EUA ), estes solicitam o Estado para assumir a responsabilidade, “resgatar” a economia ( diga-se o grande capital, como os mais 700 bilhões velozmente mobilizados para salvar os bancos americanos ) e socializar as perdas com a população ( diga-se, desmantelar o Estado de Bem-estar social com corte de salários, de aposentadorias,demissões, diminuição de investimentos na educação, saúde etc.. )
           Agora quando este capitalismo começa a beneficiar com suas inovações as classes populares os grande representantes do capital se sentem lesados. Caso o sistema se colapse, será que o Estado saíra pelas “vítimas” tal como sempre faz quando o mercado precisa de injeção de capitais, sempre ás custas da população mais pobre?
         As consequências diretas e indiretas do capital financeiro só se tornam sérias, escandalosas e problema de Estado quando seus lucros imediatos não vão para os bolsos dos bancos e grandes investidores. Quanto beneficia os “de baixo” ou a “nova classe média” o problema se torna seríssimo, uma questão nacional!
         Será que até o momento esse esquema não estaria  potencializando o investimento e a poupança popular? Será que a confiança dos “de baixo” no mercado não importa?  Vamos ver nas próximas semanas, meses e anos os desdobramentos no amâgo do capitalismo brasileiro.
         Alguns comentários em blogs indicam também uma corrente de indignação para com o Governo,  seus órgãos competentes, a grande mídia ( para alguns golpista ) e os “virtuosos” da elite brasileira, pois estes se  mobilizam imediatamente para investigar e tentar bloquear o “golpe” e os eventuais enriquecimentos ilícitos.
       Os comentários  indicam, por exemplo, que eles  não estariam gostando dos “pobres” ganhando tanto dinheiro,estariam com medo dos “pobres” se tornarem investidores e não dependerem mais da miséria do salário mínimo ou da exploração na qual estão encerrados em certos trabalhos que exigem sua alma para sua reprodução existencial.
       Os “batalhadores” virtuais assinalam que os “virtuosos” os acusam de se iludirem com “promessa de dinheiro fácil”, contudo,  se defendem afirmando que é a mesma  “promessa conhecido por muitos candidatos nas eleições brasileiras”.
Um internauta comentou que  “ Eike Batista ganhou R$ 1,37Bilhoes em um dia, com empresas que até o momento só apresentou projetos e nenhuma produção e ninguem investiga, isso tudo pq alimenta a corrupção no mercado financeiro”, outra afirma que ““O Brasil é um pirâmide. Trabalhamos para os "políticos" ficarem ricos. Porque nos tambem não podemos ter algo melhor?”
        Tá em xeque a própria dignidade do brasileiro, no sentido de ter uma vida decente, apesar das limitações do Estado brasileiro, está em questão um  trabalho decente, onde as pessoas  não “ se matam” de trabalhar para sobreviver.
        Vejamos ainda mais dois comentários que ilustram um pouco do que afirmei
“Estou desempregada e enquanto não consigo emprego me mantenho através da telex free sei que é um risco, mas na vida temos que arriscar!” outro acrescenta “ uns gastam com drogas, outros com mulheres, outros com remédios, com loterias e alguns com internet”, por fim vale registrar que “Todos os anunciantes são maiores de idade, todos tem portanto personalidade e capacidade jurídica para tomarem suas próprias decisões.Não existe nada 100% seguro. Todos sabem que podem ganhar e que também podem quebrar a cara”. Procurem esses registros no google!
         Como se percebe essas pessoas em sua grande maioria possuem consciência dos riscos que envolvem esse negócio e deixam claro que se trata de uma escolha, que é “um risco como qualquer outra empresa”, que “fazem o que quiser com seu dinheiro” e isso não diz respeito, segundo alguns internautas,  a  procuradores e polícia federal, estes deriam é estar atrás de “políticos corruptos”, “sonegadores de impostos” etc..
        Ora, o Brasileiro das classes “baixas”, reitero, não é  simplesmente um ser “alienado e  que segue uma ilusão como manada”, como muitos comentaristas de plantão argumentam, esses brasileiros não devem ser vistos como vítimas, massa de manobra, sem opinião e joguete da grande mídia, mas sim como sujeito que “sabe a dor e o prazer de ser o que é”, que a despeito da educação que teve e do país que nasceu, não sucumbi a miséria herdade e a converte criativamente em arma de luta, resistência e afirmação de sua dignidade. Se afirma como sujeito que assume seus riscos sem medo das consequências, até porque nunca ou raramente teve o conforto daqueles que não precisam ousar, daqueles que apenas reproduzem de forma mesquinha e conservadora suas vidinhas.
          Por fim, vale registrar que a guerra virtual em torno dessa questão é tambem uma guerra ideológica, expressa em  um posicionamento contra-hegemônico de milhares de internautas contra  aqueles que tentam bloquear o sonho brasileiro de “viver sem se matar trabalhando”. É a luta de classes transposta para o mundo das redes virtuais, é a luta de classe virtual”
            O fato é que a ampla maioria das pessoas está consciente dos riscos e não precisará, tal como tem ocorrido nos Eua e europa, pagar as contas de rombos causados por instituições financeiras e suas inovações financeiras. Essas pessoas pagaram, finalmente, por suas próprias escolhas e não pelas escolhas ocultas e anti-democráticas do grande capital financeiro. Eis que  a lógica do capital quando ousa se democratizar abala os fundamentos de sua própria reprodução, em outras palavras, talvez ( o que não é novidade desde Marx ) o colapso do capitalismo seja realizada no futuro precisamente por sua própria lógica, a partir de de suas próprias armas ( produtos financeiros por ex ) colocadas nas mãos da multidão.
            Respondendo sucintamente o sub-título do texto, a  polêmica em torno da telexfree revela entre outras coisas  as vísceras ideológicas classistas de um Brasil injusto, desigual, corporativo e, é claro, com os seus iluminados jornalistas, sempre dispostos a “prestar serviço a sociedade”, só não sabemos que sociedade, ou melhor, que segmento ou classe dela, certamente não é a de “burros”, “vagabundos”,” ignorantes”, e “ mal informados” que se “iludem” com o telexfree.

domingo, 14 de outubro de 2012

Nobel da Paz: Paz de quem?


Esse prêmio Nobel na presente conjuntura é uma piada. Trata-se de uma ofensa aos povos europeus, especialmente gregos e espanhóis que vivem tempos de descrença e indignação face ao modo como a União Europeia e suas lideranças vem conduzindo a atual crise que  afeta o continente.

Uma coisa é certa, tal prêmio não vem apenas para "elevar a moral" da UE, mas se apresenta, sobretudo, como instrumento de legitimação das políticas de austeridades em operação na Europa. Políticas que deveriam  'combater' a crise, mas que até agora longe de atenuar os efeitos sociais da crise o amplificam, obrigando a população pagar dívida ilegítima com a desestruturação do Estado de Bem-estar social, novas pobrezas e desigualdades.

Seu atual posicionamento político face aos dilemas econômicos e sociais do continente não validam o argumento do Presidente da Instituição de que a UE  tem realizado um "bem-sucedida luta pela paz e reconciliação e pela democracia e direitos humanos." Ora, paz e Democracia é o que não há em uma Europa que sofre a recessão de uma Crise que não dá indícios de que acabará, intensificando os conflitos e levantes de povos que não aguentam mais a queda do padrão de vida e altas taxas de desemprego, impelindo-os a ocuparem ruas e praças para contestar o atual sistema econômico e uma democradura que vem apenas legitimando os interesses de uma oligarquia financeira internacional. 

Angêla Merkel, enquanto principal Líder Européia e defensora das atuais políticas econômicas vigentes no continente não se contem de felicidade, os horizontes de uma Europa-Alemã se tornam mais palpáveis. Francoise Hollande, eleito como portavoz de políticas anti-austeridade afirmou que o prêmio representa uma "honra imensa" para a UE. A decepção deve estar reinando entre os comunistas e pessoas que depositaram esperança em Hollande para fazer oposição a Merkel e alterar o ataque aos direitos sociais em vigência na França e na Europa como um todo. 

Seguramente o prêmio não terá nenhum efeito prático para acalmar os ânimos populares da (Des)União Européia. Reafirmo, o prêmio tem laivos ideológicos e representa simbolicamente a validação das políticas de austeridade vigentes na Europa ( Diga-se demissões, cortes salariais, diminuição do Orçamento para saúde, educação, cultura etc..), realizadas sob os auspícios da Troika, constituída pelo FMI, Banco Central Europeu e, vejam bem, Comissão Europeia, está última responsável por representar, defender e materializar os interesses da União Européia. Longe de representar os interesses da totalidade das Nações que  a compõem, a União Europeia representa atualmente o ataque as soberanias de seus integrantes.  E agora? Como bem indagou Alain Badiou " Quem salvará a Europa de seus salvadores".

terça-feira, 18 de setembro de 2012

De um História de destruição para uma História de afirmação da vida



Para o anjo da hstória de  Walter Benjamin, o que nós chamamos de progresso é uma tempestade de destruição.
 “Ele tem o seu rosto voltado para o passado. Onde uma cadeia de eventos aparece diante de nós, ele enxerga uma única catástrofe. Ele bem que gostaria de demorar-se, de despertar os mortos e juntar os destroços. Mas do paraíso sopra uma tempestade que se emaranhou em suas asas e é tão forte que o anjo não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, para o qual dá as costas, enquanto o amontoado de escombros diante dele cresce até o céu.”

Esse anjo da história poderia ter um dia outra visão ao voltar seu rosto para o passado?

Com a economia de mercado e a estrutura jurídico-político que a sustenta certamente não podemos fugir da tempestade destrutiva que vem cimentando nosso passado. Quem sabe uma economia ancorada em outros princípios,que não fossem o do consumismo, individualismo, competitividade e lucro permitisse um mundo sem tanta "tempestade". Essa nova economia deveria vir junta de uma nova política sustentada por valores cívicos, comuns, que fosse instrumento de afirmação da vida, de realização das potencialidades e felicidade humana;que garantisse a manutenção de direitos comuns, fosse mais aberta, participativa, transparente; que não fosse privada, fechada no aparato do Estado e dos partidos políticos tradicionais. que não fosse subordinada a economia e servisse como instrumento de realização de políticas e programas de classes privilegiadas. Acredito que o Anjo da história de Benjamin deixará de ver apenas escombros quando os homens recriarem uma nova civilização em novos pressupostos economicos e políticos, permitindo a inauguração da HUMANIDADE, ( que segundo Milton Santos está ainda no Devir ), com uma nova COSMOLOGIA para orientar os indivíduos no sentido de práticas e relações socialmente saudáveis, amorosas, motivadas pelo DOM, pela reciprocidade, garantindo uma uma existência não de dominação, exploração e miséria, mas de Justiça, igualdade e, sobretudo, LIBERDADE. Liberdade compartilhada; prudente e responsável.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Liberdade e Responsabilidade

O homem e a liberdade,
O homem e as escolhas,
O homen e as consequências
.

     O homem que exercita a liberdade, que faz escolhas. que se depara com as consequências e automaticamente deve assumir a responsabilidade existêncial e social desse movimento. Deve o homem fazer escolhas em detrimento de sua liberdade afim de ampliar as possibilidades de existência de outrem? Deve o homem sacrificar necessidades e desejos afim de evitar danos sentimentais?
      Creio que deve o homem, por vezes, sacrificar e restringir sua liberdade sem titubear, pois a longo prazo e numa perspectiva da liberdade da coletividade humana, os sacrifícios e restrições de liberdade individual se convertem automaticamente no alargamento das liberdades coletivas e consequentemente na satisfação de necessidades e desejos de um maior contingente de pessoas.
     Liberdade e responsabilidade nessa perspectiva se conectam tendo em vista a expansão das liberdades humanas e o que aparenta ser 'custo' ou privação individual não é senão o ponto de partida para garantia da coexistência das liberdades indiduais em sociedade.
     Quer dizer, aquilo que alguns acreditam ser o ideal da liberdade humana em sociedade tem efeito contrário e devastador para o conjunto da sociedade em termos das liberdades coletivas, posto que pregam uma liberdade incondicional e sem entraves, corroborando com uma ética individualista, anárquica e irresponsável em detrimento de uma moral social reguladora.
     Ora, uma moral social reguladora é precisamente o resultado da conjugação entre liberdade e responsabilidade que. vistas em perspectiva ampla, considerando o conjunto dos homens ( enquanto gênero humanmo ) significam a possibilidade de ampliação das liberdades individuais e coletivas sem privar ou anular as necessidades e desejos de niguem.
     Creio que as implicações decorrentes dessa perspetiva servem como referência fundamental para combater desigualdades e  garantir justiça social tão somente através da responsabilidade moral por sua liberdade.

     Que cada um usufrua e exercite sua liberdade, sempre lembrando que sua liberdade coexiste com outras liberdades. E o fato dela coextir com outras liberdades implica no respeito e aceitação das mesmas, de modo que suas escolhas e ações se orientaram no sentido de limitar sua liberdade para não corrompoer ou anular as demais. Em suma, existir é responsabilizar-se pelo destino dos homens, do contrário, continuaremos a sofrer as consequências sistêmicas negativas, resultantes da convergência da fruição de liberdades individuais. Quer queira, quer não, as crises, desigualdades e contradições existenteas nas sociedades humanas se constitutem a partir do efeito agregado das ações, estratégias e projetos individuais.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Do Egoísmo à necessidade de reinvenção da Política.


      Antonio Luiz, nas redes sociais, é meu inspirador oficial. E novamente me convidou a pensar  e  a objetivar as reflexão daí decorrentes em um texto. O assunto da vez foi o egoísmo, mas a reflexão me levou a política.

     Enquanto sociólogo devo afirmar que o egoísmo, assim como outras “doenças da alma” são originárias de visões de mundo e ideologias que maltratam a coexistência dos indivíduos em sociedade.
     Essa “doença da alma” infelizmente se reproduz socialmente e reflete as principais ideologias e tendências de nosso tempo: liberalismo, individualismo, competitividade exacerbada, consumismo frenético, hedonismo etc..
      A própria idéia de um ser egoísta é um contra-senso a meu ver, pois como diria Aristóteles, somos animais políticos e necessitamos da convivência em sociedade para nos tornarmos humanos e cidadãos, sem esse pressuposto político somos apenas animais guiados pelos instintos, somos idiotas, no sentido daquele que não se importa com a coisa pública, com a coisa socialmente construída. 
       Me referi ao “animal político” de Aristóteles para expressar a idéia de que o egoísmo que reina em nossa sociedade possui um vínculo direto com a proliferação de idiotas no sentido político. Cortella em livro com Renato Janine, Política para não ser idiota, nos ensina que Idiótes , em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política”, em outras palavras, é aquele que volta-se para si mesmo, se vê auto-suficiente e pensar não depender de ninguém alem de si mesmo.
     Infelizmente ocorre uma larga produção desses individuais atualmente. Mas acredito que isso se deve, em parte, por dois fatores.
     Primeiro, porque esses indivíduos são intoxicados por ideologias que garantem que o ‘sucesso’, ‘liberdade’, ‘riqueza’ e ‘felicidade’ são resultados do esforço individual, da ‘meritocracia’, o que exigiria muita ‘determinação’, ‘estratégias’ para se tornarem ‘virtuosos’, ‘empreendedores’, ‘competitivos’, enfim, ‘vencedores’. Os indivíduos que orientam sua conduta por essa perspectiva ( política darwinista de vida ) alimentam uma idéia hobbesiana de que vivemos numa selva social, “que o homem é o lobo do homem”, onde os mais fortes sobrevivem e alcançam seu “lugar ao sol”.
     Segundo, porque a sentido da política encontra-se descredibilizada. A política que reina entre nós atualmente é carregado de conotações negativas. O cenário é de corrupção e impunidade. Cenário este tão amplamente divulgado pela mídia que grande parte da população naturaliza a questão como fazendo parte do fazer política. De um lado, descredibiliza-se o sentido da política e, de outro, indivíduos ao invés de indignarem, se resignam e vislumbram como única saída projetos políticos individuais, baseados em ‘seus’ interesses, valores e ‘jeitinhos’ afins.
     Para alem desse cenário sombrio, ainda acredito que o egoísmo imperante em nossa sociedade só pode ser combatido a partir da renovação do sentido da política enquanto empreendimento prático da construção da coexistência saudável em sociedade. Trata-se não de uma política egoísta do idiota, mas sim seu contraponto, uma política que se direciona para o conjunto social, para coisa pública; uma política baseada na cooperação, concessão, anulação de interesses pessoais e solidariedade.
     É dessa perspectiva que extraio minha concepção de política, se não altruísta ao menos solidária, pois a penso como a arte de conviver, de co-existir, de cooperar, de viver em sociedade, o que exigirá a arte de debater, negociar, fazer concessões para criação de consensos relativos tendo em vista encaminhar e deliberar acerca dos assuntos públicos, que dizem respeito ao bem comum... é nessa criação que temos que conciliar nossos interesses, valores e pontos de vistas com as de outros, afinal, somos animais políticos e nossa liberdade só é possível em sociedade, em interdependência recíproca com nossas semelhantes.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não é hora de sair do Facebook !


É preciso assumir nosso tempo em todos seus paradoxos, contradições e perplexidades. Ao capitalismo cognitivo, corresponde um movimento em enxame

Por Bruno Cava do Outraspalavras.net
Houve época em que a blogosfera era um território bárbaro. Na década de 90, começando com os BBS (Bulletin Board System), as newsletters (principalmente do UOL) e os chats do mIrc, tudo era novo. Vigia uma liberdade radical. As pessoas se encontravam e no caos debatiam, brigavam, se abraçavam e se amavam. O acesso, ainda limitado às subculturas geek e hacker, começava a ampliar-se para a classe média. Tempos em que as redes sociais participavam de um processo contracivilizatório — embora minúsculo, quase guetificado. Éramos felizes e não sabíamos.
Então veio o bum da new economy e tudo mudou. Como acontece com qualquer força produtiva, as redes foram tomadas de assalto. Mercantilizadas, formatadas, uma avalanche de publicidade. A Nasdaq bombou com o mercado pontocom. Os hackers passaram a prestar às empresas consultoria de segurança digital. Os geeks se converteram em yuppies na crista do sistema. Até a bolha estourar, cada ex-geek talentoso sonhava em ser milionário. E alguns conseguiram. Grandes pequenas empresas pipocaram overnight para privatizar as redes, gerir marcas e capitalizar nas finanças. Perceberam o manancial de produtividade circulante e precipitaram os seus tentáculos e ventosas.
Nos anos 2000, o número de pessoas enredadas multiplicou muitas vezes. As redes se ramificaram, se enraizaram na economia política, se miscigenaram: constituiu-se uma rede de redes. Muito mais do que ferramenta ou meio instrumental, a rede é ela própria um espaço social construtivo, um conjunto de relações sociais que organiza, articula, comunica, potencializa e enriquece a vida. É um campo comum na confluência de culturas, éticas, políticas e socialidades, uma cauda longa, multifacetada e atravessada das forças vivas.
A internet não é mais um mundo, é a própria mundivivência na sua modulação mais intensiva. As redes se tornaram o terreno por excelência das articulações produtivas, da antropogênese (a criação do homem pelo homem) e, portanto, das tentativas de expropriar o trabalho social e a potência de vida que todos investem nessa virtualidade tão real.
Com o mínimo de estrutura, geralmente um petit comité de gestores, advogados e publicitários, erigiu-se o paraíso para capitalistas 2.0, como Bill Gates (da Microsoft) e Steve Jobs (da Apple). Eles externalizaram as internalidades negativas e onerosas ao passo que internalizavam as externalidades positivas e gratuitas. Ou seja, souberam explorar os fluxos criativos, difusos, capilares — amiúde anônimos, multitudinários — que surgem espontaneamente na rede. Concomitantemente, transformaram-se em mestres copyright, outsourcing (tercerização), marketing, brand management, networking, crowdsourcing e quejandos. Assim nasceu a economia criativa, a indústria do copyright — a vampirização da produção social e coletiva por empresas, marcas e governos.
Chegou-se então à era Mark Zuckerberg, o criador do Facebook e eleito homem do ano pela revista Time em 2010. As redes sociais estão inteiramente colonizadas. Outro ser humano vive, com outra percepção socioambiental, outro modo de sentir e relacionar-se. Agora, não há mais nada fora do processo de capitalização das relações sociais. Não dá mais para sair. Fazem o Facebook ser o Facebook as 800 milhões de pessoas pelo mundo, e contando. Dessas, 400 milhões o utilizam todos os dias sem falta: 350 milhões pelo celular ou iPad, que carregam consigo o tempo todo. Cerca de 250 milhões de fotos são subidas diariamente. A partir do Facebook, a atividade de cada um é organizada e integrada num gigantesco ecossistema.
Todo o valor do Facebook nasce do tempo de vida, da atenção e das relações investidas na rede por esse quase um bilhão de pessoas. Se não houvesse ninguém conectado, por melhor que fosse o algoritmo, o Facebook não valeria nada. Mas, quanto desse imenso valor retorna para os usuários? Onde está a remuneração pela nossa construção do Facebook? E quanto é capturado como mais-valor para forjar dezenas de milionários e o bilionário Zuckerberg?
A Internet, aliás, nunca esteve tão ‘social’ quanto agora. As redes sociais engoliram a velha rede baseada na navegação livre e anônima, nos prendendo a uma territorialidade, que é o nosso próprio ‘perfil real’, isto é, à nossa identidade fora da rede, o que traz junto, por tabela, chefes, contatos, amigos, colegas de trabalho e escola/faculdade, além dos parentes — é a partir desse perfil que as pessoas passam a navegar, compartilhando links e fotos (suas vidas…) de tal modo que a navegação torna-se ancorada e identificada por definição — Hugo Albuquerque, no Descurvo
Hugo Albuquerque não está contestando o realismo das redes de redes, o fato de elas trocarem energia com o que de mais real existe: a dor, a resistência, a ternura, a loucura. Não defende o aspecto lúdico, como se as redes transcendessem a vida, noutro plano de existência. Não é isso. Refere-se, na verdade, ao processo de codificação e disciplinamento que sofremos. Esse o social entre aspas, como na expressão fazer uma “social”.
Gentrificaram a internet. Mais do que outros mecanismos, o Facebook vem conseguindo sedimentar a identidade de cada um. E assim participa de um ritual que busca converter bárbaros em usuários comportados, hackers em criminosos sexuais e revolucionários em blogosfera progressista. E tenta assumir o controle sobre a intensificada antropogênese, a autoprodução de sujeitos e formas de vida, que as redes fermentam. A gênese social é mais uma vez capturada pelas instituições clássicas de expropriação: a empresa, o estado, a família:
empresa, ao ocupar o território cognitivo de cada um e o próprio cada um como processo e produto da cognição. Não apenas assaltar o campo visual e auditivo e semiótico pela publicidade, mas dirigir a atenção, formatar estéticas, homogeneizar mundos e vendê-los como estilos de vida. O tempo de vida é milimetricamente colonizado, até o nível subliminar do subconsciente, dos impulsos e sonhos.
estado, ao garantir o espaço social em que as empresas atuam e lucram, na velha dialética do público e do privado. Integrado globalmente, o estado controla as redes para assegurar o copyright, o direito autoral, a identificação individual, a propriedade sobre o trabalho social (crowdsourcing) e a financeirização dos lucros (rentismo). Movimentos contestatórios — Wikileaks, Anonymous, cultura livre, novas mídias antijornalísticas — passam a ser sistematicamente desacreditados e criminalizados. Em tempos de redes sociais, nenhum estado precisa mais interrogar ou torturar os cidadãos: basta extrair seus dados da internet.
família, ao enquadrar a pessoa nas múltiplas normatividades de convívio social e consumo, servindo como polícia próxima nas várias dimensões: moral, ideológica, sexual, cosmética e estética.
Apesar de tudo, o antagonismo persiste, dentro e contra. É preciso resistir e ocupar. Não é hora para saudosismos. A luta central está em imergir na ecologia das redes sociais e, do interior, transbordar dos aparelhos de captura e expropriação. Daí que, talvez, a melhor tática não seja sair do Facebook para a N-1 ou Anillosur, numa nostalgia de bom selvagem, mas ocupar maciçamente e democratizar o próprio Facebook.
É preciso assumir o tempo que se vive no conjunto de seus paradoxos, contradições e perplexidades. Ao capitalismo cognitivo, corresponde um movimento social em enxame, que aparece no software livre, na cultura digital, na blogosfera não-progressista, em diversos grupos e coletivos altamente politizados e produtivos, que cooperam e convivem fora da lógica da captura. São as múltiplas corrosões e resistências por dentro do império, os índios da metrópole que já estão dentro. Eles sabem que não é possível voltar atrás, então resolvem ir ainda mais fundo na sua guerra antropofágica contra a civilização.