"Falando em Sociedade" é um blog cujo sentido é o de apresentar e problematizar, por um lado, vivências e experiências do nosso cotidiano e, por outro, eventos, acontecimentos e cenários mais gerais de nossa sociedade, que permitem traduzir problemas e dilemas que afetam e condicionam nossas vidas.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
OS FILHOS DO “LULISMO”: A reinvenção “desde baixo” no contexto da Globalização.
É se os dois primeiros governos
do PT foram marcados pelos bons ventos externos, por uma dinâmica favorável do
processo de globalização da economia aliado as manobras política de Lula que conseguiu realizar reformas não desprezíveis, ao final do segundo e no
interior do terceiro mandato, instala-se desestabilizações negativas relativas as
injunções da economia global somadas a um “despertar” de trabalhadores e uma
geração conectada, em um contexto de insatisfação generalizada com medidas que acentuam a
sensação de deterioração da qualidade de vida expressa na experiência de uso
dos serviços públicos oferecidos pelo Estado.
Os ventos históricos do Estado Nacional
parece encontrar ventanias globais não muito favoráveis. Ventanias, diga-se de
passagem, amplamente traduzida pela mídia de plantão como plena incompetência
das políticas nacionais, como se a inflação nacional fosse um fator
independente, autônomo em sua realização.
O
fato é que PT engendrou os atores que vão empunhar as armas para sua
dissolução. A opção social-democrata perdurou na Europa por “30
anos gloriosos” em parceria com o capital, mas nos últimos 30 anos tem se
desmantelado no mesmo ritmo de destruição do Estado de bem-estar social. No
Brasil com um governo semelhante a perspectiva socialdemocrata ( cunhado de
neodesenvolvimentismo por analistas ) me parece que não chegaremos a 15
gloriosos ( com otimismo ) seja pelas injunções externas ou por efervescências
internas. Ambos os casos não estão desvinculados a dinâmica mundial do
capitalismo, especialmente a partir de mudanças geradas após a crise na década
de 70, início da ofensiva neoliberal para transferir os custos de reprodução
social ao Estado, induzindo um tipo reforma estatal bem ajustada aos interesses
mercado global.
O PT Surfou
positivamente na dinâmica mundial, potencializou a economia interna, ampliou e
facilitou obtenção de crédito, criou políticas sociais com efeitos positivos
reduzindo a pobreza, e por consequência gerou uma “nova” classe média sou nova
classe trabalhadora ( a luta para definir a mudança na estrutura social
brasileira segue polêmica ). Agora, contudo, a crise do capitalismo que é
mundial - inicialmente tida como apenas uma “marolinha” quando deflagrada nos
EUA e impactara a Europa - cria as condições para que novos sujeitos
contestarem seus “criadores”.
O PT
certamente na sua militância com os movimento sociais realizaram muitas lutas,
negociações e conquistas ( como a redemocratização e indiretamente a
constituinte ), mas agora enquanto poder instituído esbaram nos limites da
legalidade, nos marcos de ação e negociação previamente estabelecidos.
Institucionalizou-se o PT e muitos outros movimentos sociais - como os
estudantis - ocorrendo incorporação massiva deles em um multiplicidade de
conselhos criados nos últimos anos. A burocracia tornou-se um peso
significativo, a relação com os novos movimentos sociais se mostrou rarefeita.
Suas dificuldades em lidas com as manifestações atuais revelam um pouco
dessas dimensões, obrigando o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad a admitir
as limitações para entendimento desse momento e propor uma nova pedagogia
entre Estado e sociedade, baseada em uma aprendizagem construída no calor do
movimento.
Reitero
que houve avanços certamente, mas as novas gerações não conseguem ver o
diferencial do PT em relação aos outros partidos da direita, alias esse
diferencial no atual cenário está mesmo deixando de existir, depois de anos o
processo de institucionalização é forte, a burocratização do partido é
significativa, as gerações mais jovens alem disso já tomaram “consciência
política” ou se incluíram no debate político sem muita memória de conquista
recentes e sob a égide do “príncipe eletrônico” que na última década
direcionou seus esforços contra o governo estabelecido, o que é natural, quem
não está no poder realizar críticas, mas também é verdade que informa
“verdades” tendenciosas, faz sensacionalismo, desqualifica sem análises mais
contundentes para desestabilizar o governo.
Acontece que
povo expresso sobretudo pelas novas gerações, não quer ser apenas
“objeto” de políticas públicos, não quer só aumento de renda e educação. O povo
quer converte-se em multidão, quer se sentir partícipe da mudança, quer
reconstruir por baixo outra democracia possível ! É Essa
participação ativa na mudança que atualiza as instituições retirando-as do
engessamento e modificando as formas de pensar e fazer política. Como diria
Bruno Cava, a composição social surgida no âmbito do lulismo não fica Assistindo
tudo parada, apenas consumindo ( tese catastrófica) . É mais do que isso,
é reinvenção de subjetividades, é resistência classista, é poder instituinte,
que antropofagiza as políticas verticais e as converte criativamente,
potencializando novas formas de resistir e existir.
É, esta
em causa o próprio modelo de desenvolvimento ( mundialmente desigual e
combinado ) responsável pela emergência da “Nova” classe média e da “geração
facebook”, são os ventos nacionais “desde baixo” reinventando as lutas
democráticas em um contexto de falência da política tradicional e da própria
democracia em Âmbito mundial.
terça-feira, 18 de junho de 2013
BREVES NOTAS SOBRE A INDIGNAÇÃO.
Acontece que momentos de crise são momentos de alargamento da percepção do mundo que nos rodeia, são esclarecedores das razões e causas de problemas estruturais, são por excelência desnaturalizantes do que Ianni denomina de “”relações, processos e estruturas de de dominação política e expropriação econômica”.
NOTA 3
Esse é o novo “palco da história” de que falava Ianni (1996), momento de afirmação da sociedade da mundial ou “modernidade-mundo”. Evento surpreendente de ruptura teórica-epistemológica que abala os quadros mentais estabelecidos: subverte as categorias referidas no tempo-espaço do Estado-Nação; desloca o “o lugar da política” reinventando-a; redefine as soberanias e hegemonias tanto quanto a democracia.
O espaço nacional revela-se apenas um elo do encadeamento global de redes de movimentos sociais que conectam suas aspirações e indignações contra a captura da democracia representativa pelo mercado; contra a falência teórica e prática da política tradicional ( seus partidos, eleições e lideranças ); contra a mercantilização da vida; contra a privatização dos bens públicos; contra o aumento e manutenção das contradições sociais expressos em desigualdades, pobrezas, fome, injustiças de toda ordem; contra a destruição em massa do meio ambiente caracterizado pela poluição do ar, rios, oceanos, terras; contra as monoculturas de pensamento e produção que aniquilam pluralidades, diversidades e diferenças; contra todas formas de dominação, exploração e controle do trabalho e da vida que aniquilam os direitos humanos e reduzem a liberdade humana a uma condição miserável; contra as formas de produzir e consumir que atentam contra a saúde humana; contra um modelo de “desenvolvimento” urbano insustentável que prioriza a circulação e acumulação do capital em detrimento da saúde e liberdade humana.
Esses são os pontos que motivam e inspiram através de experiências coletivas de ação, a globalização contra-hegemônica, a globalização "desde baixo" em contraposição à a globalização “pelo alto”, perversa, neoliberal.
É a globalização do comum face a globalização privada. É a globalização do poder biopolítico constituinte contestando a globalização instituída do biopoder.
NOTA 2
20 centavos foi o elemento catalizador, o pretexto para deflagração de sentimentos bloqueados, vontades negadas, desejos suprimidos, demandas não atendidas. Foi um impulso de negação das estruturas políticas e formas tradicionais de operá-la com simultânea afirmação afirmação da vontade de potência do multidão, insinuando outros valores, outra política. A resistência cotidiana individualizada converte-se e é potencializada em resistência plural de uma coletividade indignada, libertária, autodeterminada. É poder constituinte em movimento abalando o poder constituído!
NOTA 1
Nunca vi mobilização tão massiva no brasil!
Nunca vi os usuários do facebook tematizando e debatendo sem interrupções sobre um evento de caráter político.
A repercussão é teórica e prática simultaneamente.
Mobilizam-se calorosamente nostalgias e utopias. Os mais velhos rememoram o maio de 68 e o processo de redemocratização seja para inspirar os mais jovens ou para caracterizar o evento como uma "velha novidade". Os mais jovens de maneira um pouco confusa e sem muita precisão tateiam na ação e na reflexão um outro estado de coisas, uma sociedade mais libertária, democrática e justa, não possuem uma imagem perfeita desse "não lugar", mas já sabem o que não querem e tecem em rede as linhas gerais do porvir. Estaria havendo apenas um blefe em relação a significativas mudanças, ou ao contrário, estaríamos em um parto histórico, geracional, eminentemente revolucionário ? Ou nada disso, o evento ainda estaria envolta de nuvens nebulosas, com desdobramentos ainda não previstos, sendo impossível prever os próximos movimentos? Não se sabe, mas a disputa política sobre os significados desse evento estão em efervescência na rede.
sábado, 15 de junho de 2013
O sistema do transporte “público” e o sentido do Movimento Passe Livre.
Comecemos por
caracterizar o que é o nosso atual sistema de transporte privado caracterizado
como "público”. É:
- Um dos
principais instrumento da relação promíscua entre Estado e Mercado.
- Um dos principais
componentes da apropriação da renda dos trabalhadores.
- Um brutal mecanismo
de degradação da vida cotidiana animalizada
- Um das bases de uma
urbanidade insustentável, economicamente ineficiente e ecologicamente
desprezível.
- Um dos principais
bloqueios para o direito de ir e vir.
- Um atentado contra a
liberdade humana!
Um dos principais
componentes da apropriação da renda dos trabalhadores e da degradação da vida.
Alem
das despesas com habitação, saúde e alimentação que são imensas para o
trabalhador brasileiro, o transporte tem se consolidado nos últimos anos
como o terceiro maior gasto da renda mensal familiar dos brasileiros. Segundo o
IBGE ( dados de 2009 ) a gasto com o transporte já corresponde há 16% do gasto
mensal das famílias, o equivalente aos gastos com alimentação. Não
preciso mais prolongar-me a esse respeito, uma grande parte da população sente
esse fato no bolso e, de modo “especial” na pele, quando diariamente seu tempo
e vida ( as vezes literalmente, em assaltos e brigas afins ) se esvaem em uma
experiência nada agradável, por vezes, degradante.
Um das bases de uma
urbanidade insustentável, economicamente ineficiente e ecologicamente
desprezível.
Em um cenário onde o governo reduz a tributação sobre o transporte
e estimula a compra de carro, soma-se ao ponto anterior - gastos com
transporte e a experiência de seu uso – a (ir)racionalidade de se investir
pesadamente na opção rodoviária no Brasil no contexto urbano, interurbano e
inter-regional. Trata-se não apenas da opção mais cara a longo prazo, mas a que
traz mais problemas relativos ao meio ambiente e a qualidade de vida nas
cidades, gerando problemas que serão igualmente pagos com os impostos da
população. A poluição do ar e as doenças respiratórias daí oriundas conjugadas
com o estresse dos congestionamentos são apenas um exemplo dessa dimensão.
Nosso
sistema de transporte “público” e o meio urbano caótico que temos hoje se
faz coerente com um modelo de “desenvolvimento” que prioriza, de um lado, o
“crescimento econômico” de forma geral, onde a produção e venda de
veículos conta como estatística imprescindível para o PIB e, e de outro,
beneficia montadoras, concessionárias e construtoras que reiteradamente “tapam
buracos” dos problemas de mobilidade urbana no brasil e, alem disso, participam
ativamente no processo eleitoral. Sim, estamos falando de um modelo
desenvolvimento coerente com a lógica do mercado e interesses políticos e
incoerente com os pressupostos para realização do desenvolvimento humano e da
sustentabilidade ambiental.
Um atentado contra a
liberdade humana e um dos principais bloqueios para o direito de ir e vir.
O dinheiro
é um dos principais componentes de liberdade e privação da liberdade no
capitalismo. Considerando que temos um salário mínimo muito aquém para uma vida
digna gasta-se, como já vimos, um dinheiro significativo com o transporte
diário. Nesse sentido, nos limitamos de comprar ( livros e comida mais
saudável por exemplo ) para conseguirmos nossa locação diária. Imaginem os
desempregados, especialmente aqueles que moram longe centro urbanos onde se
ofertam a grande maioria do empregos,estes tem limitações não apenas de
deslocamento, mas limitações de oportunidade, reconhecimento e dignidade.
Limitações de liberdade que se convertem em determinações para “bandidagem”; se
o Estado não oferece as oportunidades para este comer, se deslocar e ser reconhecido
como cidadão, existem outros meios para este indivíduo se sentir oportunizado,
pertencido, grato. Limitar o direito de ir e vir com um transporte privado
caracterizado como “público” é um atentado não apenas a letra morta da
constituição mas a vivacidade da liberdade humana.
Essas
observações sugerem diretamente e indiretamente o fracasso de um modelo
politico capturado pelo Mercado. Mercado e Estado aparecem como faces de uma
mesma moeda. Não é um fenômeno local, insere-se na própria dinâmica do
capitalismo globalizado onde ampliam-se a distância entre sociedade e Estado a
partir da subordinação deste aos imperativos do economia globalizada que obriga
o Estado a uma dependência de fluxos de investimento que lhes rendem alguns
empregos e impostos. As agências de classificação hoje, substituindo o
FMI na vigilância da America latina, representam em parte as determinações de
ajustamento nacional as ambições do Mercado. Em outras palavras, a política e
planejamento nacional ( como a política econômica, fiscal, tributária etc ) não
são independentes. Não há nacionalismo que resista se amparado somente no
Estado nacional.
Mas a relação entre Estado e Mercado no capitalismo globalizado não é recente,
estes nunca foram separados, instâncias independentes. Em O enigma do
capital Harvey evidencia a articulação promiscua entre Estado e
Mercado financeiro durante a história do capitalismo. Harvey caracteriza a
relação de nexo Estado-Finanças como o coração do sistema de crédito moderno,
base de uma estrutura de governança na qual a a “gestão do Estado para a
criação do capital e dos fluxos monetários torna-se parte integrante, e não
separável da circulação do capital”.
Vale
registrar que em momentos de crise essa relação se explícita, geralmente em
benefício do Mercado e detrimento do trabalho. O exemplo dos EUA -
para não nos alongarmos na situação européia - é emblemático a esse respeito,
despejando bilhões em salvamento de bancos em 2008 de maneira rápida e sem
consulta popular
.
Nesse
cenário o Estado como o entendemos se encontra incapacitado, para alem da
boa vontade política, de realizar uma democracia nos limites do estado
nacional, seja por determinações e limites externos ou por injunções internas
relativas a organização política tradicional com sistema eleitoral, partidos e
sindicatos. É nessa dialética entre sociedade e Estado em âmbito nacional e
Estado e Mercado globalizado que se encontram os grandes desafios nacionais
atualmente. Como se tem observado não apenas no Brasil, mas em boa parte do
mundo, a exemplo dos Eua e Europa, a resposta estatal em termos políticos tem
sido orientada direta ou indiretamente para o desmantelamento do
welfare-state, para socialização dos prejuízos a partir do endividamento do
Estado para e privatização de lucros.
A irrupção de movimentos e levantes sociais tem sido a resposta
possível da sociedade nacional ( com fontes de inspiração, aprendizagem e colaboração mundial ) organizada ou não, para fazer a face a degeneração da democracia. O movimento “surgido”por causa de 20
centavos foram apenas o ponto de inflexão de uma reflexão e experiência que já
estava em maturação: corresponde a canalização de forças e lutas antes difusas
e direcionados para lugares e fins improdutivos ( concessões de curto
prazo ) ; expressa um momento de conversão da “massa” e do “povo” em multidão, em força ativa e
criativa de singularidades que lutam pela mudança do status quo, pela reinvenção de suas vidas degradas por um sistema de transporte
privado . Eis a força da democracia em movimento, restituindo valor da luta
política , reinventando-a na prática. Democracia e liberdade andam juntas,
quando a primeira se degenera as condições de possibilidades da segunda são comprometidas. A luta
pelo passé livre é, portanto, uma luta legítima e democrática pela ampliação
das liberdades!
sexta-feira, 14 de junho de 2013
As expressões do Movimento Passe Livre: Vandalismo ou exercício democrático?
A polêmica é
sempre oportunidade para dialéticas de esclarecimento, para alargamento de percepções
e consciências, para realização do debate democrático.
Vejo
pulular na rede tanto textos e vídeos contrários ao MPL ( Movimento Passe Livre
) quanto aqueles que o apoiam, voltados
a evidenciar a violência estatal através de seus aparelhos repressivos. O
movimento aparece ora representando todos, ora representando ninguém. A massa
ou o povo, segundo os textos e vídeos disponíveis, adquire contornos, dedos e
corpo da classe média, da mídia dominante, dos jovens delinquentes, burguesia
fascista, partidos da esquerda à direita . Essa pluralidade de referências ao
movimento e suas interpretações refletem a posição social, política e
existencial daqueles que “informam” suas versões, opiniões, críticas e
verdades. O fato é que o movimento não pode ser reduzido a nenhumas dessas interpretações,
na verdade, a maioria são, de um lado, desqualificações do movimento e, de
outro, petistas, esquerdistas e tucanos se acusando reciprocamente na busca dos
responsáveis pela situação.
Alguns afirmam que não teriam
trabalhadores no movimento, só jovens da
classe média,”playbois”, “rebeldes sem causa” que nem sentiriam “o peso das
passagens”, mas isso seria motivo para desqualificar a luta e suas atitudes? As pessoas só se engajariam em causas que
dizem respeito a sua classe?
Há
aqueles que insinuam que o movimento foi muito espontâneo, sem bandeiras, lideranças,
a partidário etc.Mas há igualmente aqueles que afirmam que o movimento seria
programático e não teria nada de espontaneidade; partidos políticos
esquerdistas e tucano estariam alí infiltrados, direcionando ações, manipulando as “massas” para atacar o governo
petista. Seria uma oportunidade ímpar para tal intento. Seriam simplesmente uma
massa de manobra usada pela direita e pela mídia hegemônica? Estariam apenas
depredando patrimônio público e deslocando policiais para atividades
improdutivas? São perguntas que expressam no mínimo uma pobreza analítica sobre
o movimento, não visualizando nele capacidade inventive, reconstrutiva,
possibilidades de realização democrática, controle e pressão social sobre as
instituições que governam este país.
Não
podemos negar os diferentes discursos, críticas e desqualificações revelam
facetas do tema em questão, qual seja; o transporte público enquanto “direito a
cidade” e a legitimidade ou não dos movimentos que almejam esse direito.
É
importante reconhecer que existe tudo isso junto e muito mais, são muitas intenções,
interesses, desejos, singularidades em jogo, mistura de ações programáticas com
espontaneísmos, oportunidades para se sentir útil etc... não podemos realizar
diagnósticos simplistas e unilaterais do tipo “isso é uma ação programática da
direita que manipula a massa”, “trata-se de ação da extrema esquerda com a
direita para desestabilizar o pt”, “ isso é um ato irracional de vândalos”, isso
é…..x, y,z. Pelo que li a coisa é muito mais complexa do que muitos imaginam, o
movimento envolveu para o bem ou para mau classe média, classe trabalhadora ou “nova”
classe média, movimentos ecológicos,
movimentos de habitação, movimentos de “direito a cidade” e outros.
O movimento é necessário, componente indispensável de mudança social, econômica
e política. Mas nunca esqueçamos que ele nunca é homogêneo, mas sempre plural,
contraditório, sujeito a muitas determinações e, igualmente, a desdobramentos
insuspeitados.
Tais situações, penso, permitem insurreição de consciências,
momento de politização sobre os problemas nacionais. Não, sem essa de que eles
são apenas “massa”, objeto de manobra, é
também multidão de singularidades que se reinventam no calor das lutas, que reorientam
energias e ideias para construção do comum! ( Passe livre!) O movimento é também
movimento de subjetividades; não se resume a contestar alguns centavos de
aumento mas representa um sintoma da insatisfação geracional com o modelo de
política e de desenvolvimento realizado pelo Brasil ( e pelo Mundo ) nas
últimas décadas neoliberais. Sim, está em causa os sentidos e ambivalências do
Lulismo, depois de alimentada a multidão quer mais! Em boa parte surgida no âmbito
do governo do PT, a “nova classe média” que ao contrário do que alguns
analistas pensam ( classe despolitizada
e consumista ) é também classe subjetivamente crítica e criativa; que uma hora
cessa de aguentar porretes e exploração e afirma-se, como diria Bruno Cava,
como força viva e produtiva de outro mundo.
Por fim, ao realizar diversas leituras pela
rede percebi como nostalgias e utopias também se apresentam igualmente no
horizonte de lutas, práticas ou ideológicas. A nostalgia se apresenta com a referências aos movimentos pretéritos, suas conquistas e uma pretensa autenticidade quando comparado aos atuais. A utopia aparece seja como fonte
de inspiração para mudança ( Pró-MPL ) ou ainda como fonte de resignação para manutenção
do “status quo” ( Contra-MPL ) supostamente desqualificando a idéia de Passe
Livre como uma realização impossível, utópica.
Ora, ser utópico atualmente é a maneira mais realista de existir em um
mundo com crises múltiplas que atentam contra a justiça e dignidade humana.
sábado, 16 de março de 2013
A novela da Telexfree continua: Quem salvará os consumidores de seus “salvadores””
Antes
de qualquer posicionamento devo aqui novamente reiterar que não me
interesso em saber se a telexfree é “golpe”, “fraude”, se é
pirâmide", "vai quebrar", ou se é "dinheiro
fácil". Não isso não me interessa. Me interessa o que surge nas
entrelinhas dessa polêmica, o que mostra das contradições de nosso Brasil e
daqueles que informam sobre ele.
“ A
novela da Telexfree está mais interessante que salve jorge” disse um internauta
no interior da “polêmica Telexfree” que fervilha em blogs e sites de informação.
De fato esta “novela” tem dado a mim oportunidade de pensar questões
antes restritas aos limites da academia e, por isso, retorno ao assunto que a
principio só escreveria uma única vez.
Vamos
ao assunto. Continuam a proliferar-se em sites e blogs denúncias contra - o
ainda não comprovado - “golpe” ou “fraude” da Telexfree. Parece que parte
da dita “grande mídia” se despertou em relação ao assunto, a exemplo do portal
G1.globo, Globo.com, só para ficarmos nesses. O que me impressionou a esse respeito
é que o “pipocar” da “polêmica Telexfree” tenha sido gerada sobretudo por sites
“alternativos” e depois migrou para “grande mídia” antes “silenciada”. É algo
preocupante quando ocorre uma unanimidade, especialmente quando ela se realiza
entre mídias que deveriam se contrapor no que se refere as informações
publicadas, mas antes estão em coro uníssono.
Mais
estarrecedor ainda é constatar que a mídia “alternativa” tem reproduzido
mimeticamente pré-julgamentos e acusações sem qualquer comprovação ( vide
Nassif ), incorporando inclusive, uma explicação sobre a questão que a reduz a
um “esquema” ( de pirâmide ) realizado por “quadrilhas” que estariam a “iludir”
o “pobre” e “desinformado” povo brasileiro. Alem disso, fazem coro na
reprodução de um argumento, segundo o qual, a “farsa” já estaria sendo
descoberta e que em “breve” a “justiça” seria feita. Por fim, vale dizer, que
todos acreditam piamente estar alertando o povo sobre os “falsários”, sobre a
possibilidade de imediatamente eles fugirem do país com o dinheiro de um povo
“sofrido” e “enganado”. Nada mais falso,como já insinuei em texto anterior.
Foi com
tristeza que vi o blog do Miro e o blog outraspalavras ( depois de
Cartacapital ) capitularem diante da acriticidade de suas informações,
decepcionando leitores que cotidianamente estão nesses blogs procurando ideias
que apontam um horizonte pós-capitalista de existir. Espero que esses
posicionamentos não se reiterem,de forma que tais blogs salvaguardem sua
reputação e não ousem novamente a se igualar a “ grande mídia” que tanto
criticam. É o que acontece quando todos reproduzem acriticamente um texto de
uma figura do mainstream do jornalismo brasileiro.
Para não me alongar demais nesse texto vou me deter em “contra-informar” apenas a “informação” fornecida pelo portal G1. Globo do Mato Grosso, que no título de sua reportagem afirma que “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil denúncias ao Procon de MT”, simplesmente transformaram ligações para o PROCON em DENÚNCIA, em outras palavras, converteram o ato do cidadão se informar a respeito da legalidade de uma empresa em pura e simples acusação contra a mesma.
É, está em curso uma “cruzada” dos representantes da legalidade, a mídia e o Estado, contra a suposta ilegalidade de uma empresa que tem “lesado” muitos consumidores. O que mais me intriga são duas coisas.
Primeiro,
é o fato dos próprios consumidores estarem realizando uma defesa massiva da
empresa nas redes sociais, para alem das críticas daqueles que, a priori, já
sabem no que isso vai dar, ou seja, que a “pirâmide” vai "cair”. A defesa
de uma empresa, de um lado, e o “esclarecimento” antecipado do que vai
acontecer “com os mais pobres”, de outro, constituem um cenário efervescente
nas redes sociais nos últimos dias.
Em
segundo lugar é pouco comum vermos Mídia e Estado de mãos dadas contra o
domínio do mercado. Até então o mercado era visto ( pelas elites e classes
médias tradicionais ) como reino das “virtudes” onde ocorrem trocas “justas”
entre iguais, pessoas igualmente informadas sobre os negócios que fazem, mas,
de repente é mal visto ( através de uma empresa ) como reino de “injustiças”
para com o povo brasileiro, devendo imediatamente apresentar documentos que
comprovem sua legalidade, afinal de contas, estaria realizando trocas injustas,
desiguais com os consumidores. Estes estariam sendo “lesados” na medida em
que possuíam poucas informações sobre o produto adquirido e
o funcionamento da empresa. "Coitadinhos!"
Ao que
me parece o mercado só é mal quando começa a beneficiar demais os consumidores,
nesse caso em particular, quando socializa parte dos lucros auferidos com o
negócio ( No próximo texto me aterei a este ponto). A empresa parece estar
profanando as leis “auto-reguláveis" de um mercado supostamente racional
quando comete a “irracionalidade” de inverter ou pelo menos atenuar a lógica
dominante, qual seja, a lógica segundo o qual as empresas devem lucrar
infinitamente mais na sua negociação com os consumidores. “Um abuso” dizem
eles, “como pode o consumidor ter tantos privilégios em um negócio”.
O privilégio é, na verdade, a tendência de horizontalizar
a pirâmide social brasileira, esta sim a verdadeira pirâmide a que
todos deveriam criticar amplamente!
Obs: O título do
portal G1 “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil denúncias ao Procon de
MT” horas depois foi editado para “Em 3 meses, Telex Free gera cerca de 2 mil
telefonemas ao Procon de MT”
quinta-feira, 14 de março de 2013
O que a polêmica em torno do Telexfree evidencia: Captação de poupança popular ou democratização da lógica capitalista?
Enquanto cientista social raramente
emito opiniões imediatas acerca de
questões polêmicas que “fervem” nas redes sociais. Desta vez, porem, não me
contive e vou arriscar algumas linhas de interpretação sobre a questão.
Nos últimos dias prolifera-se nas
redes sociais, blogs, youtube e jornais a polêmica em torno da atuação da
empresa Telexfree, que está sendo investigada e já amplamente denúnciada pelos
“arautos da boa e honesta informação”.
Quanto às investigações existem
suspeita de que uma espécie de pirâmide
financeira, travestida de Marketing Multi Nível, estaria lesando a “poupança
popular” dos brasileiros, especialmente dos mais pobres que estariam vendendo
tudo e se endividando apenas para entrar no “esquema”. Bem, o fato é que mobilizaram imediatamente dois ministérios,
promotores de várias regiões, cade, delegacias, ministérios públicos e policia
federal para averiguar a questão. Alem disso Ministério da fazendo e Secretaria de Acompanhamento Econômico (Sae),
já estão envolvidos na situação e já foram notificados o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), a Comissão de Valores Mobiliário (CVM) e o Banco Central (BC). Haja
mobilização!
Quanto
aos representantes da “boa informação” e formadores de opinião, sobretudo, da
classe média tradicional brasileira, destaca-se o Noblat, que tem escrito
bastante sobre a questão nos últimos dias.
Antes de prosseguir gostaria de
sugerir que para quem não conhece a empresa favor procure informações no
google. Meu objetivo aqui não é discutir
a legalidade da empresa, seu serviço (
serviço de telefonia )o modo lícito ou ilícita que opera ( método de divulgação
) para proporcionar lucros ou realizar uma problematização moralista sobre a
questão. Meu interesso é apontar para o que essa polêmica revela da sociedade
brasileira. Aqui não importa se é fraude
ou golpe, embora devo concluir que não se trata nem de fraude, pois não estão
falsificando nada e tampouco de golpe, visto que até onde eu sei a empresa não
enganou seus ‘divulgadores’ recusando-se a realizar os devidos pagamentos.
Retornemos ao formador de opinião,
Noblat, apenas para iniciar meu posicionamento e sugerir o que essa polêmica
traz à tona em tempos de suposta “despolarização política” e “despolitização
das massas”.
Para resumir a opinião de Noblat
basta dizer que ele afirma que "Durante um ano, o esquema TelexFree
envolveu um milhão de pessoas e movimentou mais de R$ 300 milhões através de
uma versão online do velho golpe da pirâmide", e há expectativa de chegue
em “1 bilhão” este ano. Informa que nos próximos dias, o esquema será
desbaratado e seus mentores detidos e indaga “Mas terá sido em vão para mais de
um milhão de pessoas que caíram no mais abrangente golpe financeiro da história
do país”.
Aqui reside minha principal
indagação, será que essas pessoas são vítimas; caíram ingenuamente num ‘golpe
financeiro’ e foram enganadas a colocar dinheiro no negócio? Creio que não e ,
tampouco acredito que seja “o mais atrevido golpe já perpetrado contra o
consumidor brasileiro”. Outros golpes mais profundos atentam contra a dignidade
do consumidor e do cidadão brasileiro cotidianamente, realizadas por “empresas
golpistas” nos próprios termos de Noblat que afirma “O que diferencia uma
empresa séria da golpista é a receita auferida com a venda final do produto.”
Quer dizer com essa diferença podemos enquadrar muitos bancos de investimento
como golpistas já que seus executivos ganham milhões mensalmente apenas vendendo
seus produtos financeiros. Aliás não apenas bancos de investimento mas bancos
estatais que “guardam” o dinheiro do brasileiro oferecendo ridículas taxas de
retorno, ao mesmo tempo que lucram milhões com os empréstimos oferecidos ao
governo, que nós sustentamos afinal. Somos ‘golpeados’ duplamente, afinal somos
nós que sustentamos o Estado.
Esse viés normativo, moralista da
questão apenas identifica “golpistas” e “quadrilhas” que estariam se fazendo
com a alienação popular contudo, deixam
de perceber que esses brasileiros estão longe desses adjetivos e não iriam
aderir massivamente algo sem um mínimo de segurança, digo mínimo pois a maioria
dos brasileiros não possuem segurança em relação a nada e quando percebem algo
real, concreto e que pode mudar suas vidas encaram sem medo de perder, afinal ,
não há muito o que perder, apenas o anseio de melhoria de vida.
O que essa polêmica sobre a telexfree
revela? Pode revelar certamente o maior “golpe do século” realizado por um “trabalho da quadrilha”,
por uma “rede de golpistas”,como faz questão de enunciar Nassif, incluindo-o
no rol de golpes já realizadas como o esquema ponzi, esquema boi gordo e
esquema Madoff. Mas alem disso, o que essa controvérsia gera do ponto de vista
sociológico, o que ela explicita sobre o Brasil e suas contradições, suas
classes e o capitalismo.
Nessa polêmica está em questão as
“virtudes” de nossos elites, ricos e classes medias tradicionais, a
possibilidade de indiferenciação financeira em relação a “massa”, que deveria
não estar investindo e ganhando dinheiro “ilicitamente”, mas acordando 5 manhã,
enfrentando ônibus, suando a camisa e se “matando de trabalhar” para receber
seu “gordo” salário ao fim do mês.
Acontece que a maioria das pessoas, e
aqui incluo dezenas de opiniões de
internautas, se assumem como responsáveis pelos riscos do negócio, os
“transgressores” nas palavras de Nassif. Tenho certeza que nunca eles se
sentiram tão bem ao fazerem parte de uma transgressão, transgressão esta que
atinge o núcleo da hipocrísia e das virtudes das elites e classes medias tradicionais brasileiras (
alguns dos quais estão no “esquema”, mas não abrem o “bico” ). Em outras
palavras, retiraria suas qualidades singulares de ganhar bem e enriquecer-se
através de seu trabalho honesto, trabalho que pagaria políticas sociais para
pobres preguiçosos e sem iniciativa que estariam naquela condição por sua
própria culpa. O fato é que essas controvérsias dizem respeito sobre a
singularidade de um Brasil desigual, injusto cuja lei
O que temos realmente? Será a
democratização de investimentos ou , teríamos como informa a Secretaria Nacional do Consumidor “a captação
de poupança popular”, que estaria sendo denunciada.
Considerando a primeira opção me pergunto,
Dinamizar o capitalismo pela via popular seria dinamitá-lo por dentro? O bem da
verdade é que sua dinâmica avassaladora de lucros e exploração ao longo da
história tem beneficiado sobretudo as elites, os já ricos, herdeiros,
empresários, investidores e instituições bancárias.
A polêmica nos blogs giram em torno
também dessa questão, afinal de contas, enquanto o capitalismo vai bem para os
ricos e entra em crise ( através de ‘inovações’ financeiras como o subprime NOS
EUA ), estes solicitam o Estado para assumir a responsabilidade, “resgatar” a
economia ( diga-se o grande capital, como os mais 700 bilhões velozmente
mobilizados para salvar os bancos americanos ) e socializar as perdas com a
população ( diga-se, desmantelar o Estado de Bem-estar social com corte de
salários, de aposentadorias,demissões, diminuição de investimentos na educação,
saúde etc.. )
Agora quando este capitalismo começa
a beneficiar com suas inovações as classes populares os grande representantes
do capital se sentem lesados. Caso o sistema se colapse, será que o Estado
saíra pelas “vítimas” tal como sempre faz quando o mercado precisa de injeção
de capitais, sempre ás custas da população mais pobre?
As consequências diretas e indiretas
do capital financeiro só se tornam sérias, escandalosas e problema de Estado
quando seus lucros imediatos não vão para os bolsos dos bancos e grandes
investidores. Quanto beneficia os “de baixo” ou a “nova classe média” o
problema se torna seríssimo, uma questão nacional!
Será que até o momento esse esquema
não estaria potencializando o
investimento e a poupança popular? Será que a confiança dos “de baixo” no
mercado não importa? Vamos ver nas
próximas semanas, meses e anos os desdobramentos no amâgo do capitalismo
brasileiro.
Alguns comentários em blogs indicam
também uma corrente de indignação para com o Governo, seus órgãos competentes, a grande mídia (
para alguns golpista ) e os “virtuosos” da elite brasileira, pois estes se mobilizam imediatamente para investigar e
tentar bloquear o “golpe” e os eventuais enriquecimentos ilícitos.
Os comentários indicam, por exemplo, que eles não estariam gostando dos “pobres” ganhando
tanto dinheiro,estariam com medo dos “pobres” se tornarem investidores e não
dependerem mais da miséria do salário mínimo ou da exploração na qual estão
encerrados em certos trabalhos que exigem sua alma para sua reprodução
existencial.
Os “batalhadores” virtuais assinalam que
os “virtuosos” os acusam de se iludirem com “promessa de dinheiro fácil”,
contudo, se defendem afirmando que é a
mesma “promessa conhecido por muitos
candidatos nas eleições brasileiras”.
Um internauta comentou
que “ Eike Batista ganhou R$ 1,37Bilhoes
em um dia, com empresas que até o momento só apresentou projetos e nenhuma
produção e ninguem investiga, isso tudo pq alimenta a corrupção no mercado
financeiro”, outra afirma que ““O Brasil é um pirâmide. Trabalhamos para os
"políticos" ficarem ricos. Porque nos tambem não podemos ter algo
melhor?”
Tá em xeque a própria dignidade do
brasileiro, no sentido de ter uma vida decente, apesar das limitações do Estado
brasileiro, está em questão um trabalho
decente, onde as pessoas não “ se matam”
de trabalhar para sobreviver.
Vejamos ainda mais dois comentários que
ilustram um pouco do que afirmei
“Estou desempregada e
enquanto não consigo emprego me mantenho através da telex free sei que é um
risco, mas na vida temos que arriscar!” outro acrescenta “ uns gastam com
drogas, outros com mulheres, outros com remédios, com loterias e alguns com
internet”, por fim vale registrar que “Todos os anunciantes são maiores de
idade, todos tem portanto personalidade e capacidade jurídica para tomarem suas
próprias decisões.Não existe nada 100% seguro. Todos sabem que podem ganhar e
que também podem quebrar a cara”. Procurem esses registros no google!
Como se percebe essas pessoas em sua
grande maioria possuem consciência dos riscos que envolvem esse negócio e
deixam claro que se trata de uma escolha, que é “um risco como qualquer outra
empresa”, que “fazem o que quiser com seu dinheiro” e isso não diz respeito,
segundo alguns internautas, a procuradores e polícia federal, estes deriam
é estar atrás de “políticos corruptos”, “sonegadores de impostos” etc..
Ora, o Brasileiro das classes “baixas”,
reitero, não é simplesmente um ser
“alienado e que segue uma ilusão como
manada”, como muitos comentaristas de plantão argumentam, esses brasileiros não
devem ser vistos como vítimas, massa de manobra, sem opinião e joguete da
grande mídia, mas sim como sujeito que “sabe a dor e o prazer de ser o que é”,
que a despeito da educação que teve e do país que nasceu, não sucumbi a miséria
herdade e a converte criativamente em arma de luta, resistência e afirmação de
sua dignidade. Se afirma como sujeito que assume seus riscos sem medo das
consequências, até porque nunca ou raramente teve o conforto daqueles que não
precisam ousar, daqueles que apenas reproduzem de forma mesquinha e
conservadora suas vidinhas.
Por fim, vale registrar que a guerra
virtual em torno dessa questão é tambem uma guerra ideológica, expressa em um posicionamento contra-hegemônico de
milhares de internautas contra aqueles
que tentam bloquear o sonho brasileiro de “viver sem se matar trabalhando”. É a
luta de classes transposta para o mundo das redes virtuais, é a luta de classe
virtual”
O fato é que a ampla maioria das
pessoas está consciente dos riscos e não precisará, tal como tem ocorrido nos
Eua e europa, pagar as contas de rombos causados por instituições financeiras e
suas inovações financeiras. Essas pessoas pagaram, finalmente, por suas
próprias escolhas e não pelas escolhas ocultas e anti-democráticas do grande
capital financeiro. Eis que a lógica do
capital quando ousa se democratizar abala os fundamentos de sua própria
reprodução, em outras palavras, talvez ( o que não é novidade desde Marx ) o
colapso do capitalismo seja realizada no futuro precisamente por sua própria
lógica, a partir de de suas próprias armas ( produtos financeiros por ex )
colocadas nas mãos da multidão.
Respondendo sucintamente o
sub-título do texto, a polêmica em torno
da telexfree revela entre outras coisas
as vísceras ideológicas classistas de um Brasil injusto, desigual, corporativo
e, é claro, com os seus iluminados jornalistas, sempre dispostos a “prestar
serviço a sociedade”, só não sabemos que sociedade, ou melhor, que segmento ou
classe dela, certamente não é a de “burros”, “vagabundos”,” ignorantes”, e “
mal informados” que se “iludem” com o telexfree.
Assinar:
Postagens (Atom)